Preconceito Linguístico

Enviada em 04/09/2020

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Certamente a mentalidade retrógrada e preconceituosa de parte da população frente as diferenças linguísticas existentes no país justifica a postura do autor, pois gera no outro um humilhamento pela sua forma de falar. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias que tange à problemática, que persiste influenciada pela falta de compreensão das diferenças existentes no Brasil, além do individualismo.

Em primeiro lugar, é fundamental refletir acerca da distinção, que não parece estar clara para alguns, entre as diferentes variedades da língua. Nesse sentido, em um país tão imenso, repleto de culturas diferentes e com diferentes paisagens, como, por exemplo, centro urbanos, zonas rurais, mata atlântica e sertão, é certo que as diferenças linguísticas existiriam nesse meio, sejam gírias, dialetos, sotaques ou erros gramaticais por conta de aspectos históricos, sociais e culturais de determinado grupo. Entretanto, muitas pessoas não conseguem enxergar a grande diferença entre as vidas de cada brasileiro, e, assim, julgam e descriminam pessoas por falarem errado ou diferente delas, apesar de viverem em contextos distintos.

Ademais, vale destacar que o preconceito linguístico encontra terra fértil na falta de empatia entre os brasileiros. Na obra “modernidade líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, percebe-se a falta de afeição no Brasil no que se refere as diversas maneiras de falar ou nos erros gramaticais cometidos, pois, para se colocar no lugar do outro, buscando entender seus reais motivos que justificam os erros ou variações no português dessas pessoas, é preciso deixar de olhar apenas para si. Dessa forma, essa liquidez influencia na busca de soluções para o problema.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Então, é preciso que o Ministério da Educação, Juntamente com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolvam “workshop”, em escolas, sobre a importância da empatia e do reconhecimento das diferenças socioculturais presente no Brasil para o enfrentamento de problemas sociais como o preconceito linguístico. Além disso, tais atividades devem ser filmadas e postadas nas mídias desses órgãos a fim de que mais brasileiros entendam sobre as diferenças variedades linguísticas presente na realidade brasileira. Desta maneira, o Brasil se tornará mais justo e coeso, aproximando-se assim de um legado que Brás Cubas se orgulharia em repassar.