Preconceito Linguístico
Enviada em 16/09/2020
De acordo com Oswald de Andrade, em seu poema “pronominais”, a gramática diz “dê-me um cigarro”, mas o bom brasileiro diz todos os dias “deixa disso camarada, me dá um cigarro”. Dessa forma, é evidente que a língua falada tem se tornado cada vez mais valorizada por conta do movimento modernista. Entretanto, ainda que tenha acontecido alguns avanços, o contexto do Brasil do século XXI contraria-o, uma vez que a xenofobia midiática e da sociedade contemporânea contribuem para sua permanência.
Em primeiro lugar, é necessário elucidar que, a mídia tem considerável papel na formação de opinião da população. Ademais, já no século passado, havia perseguição midiática ao cineasta Amácio Mazzaropi, que, a todo custo, tentava invalidar suas produções cinematográficas apenas pelo jeito “caipira” de falar de seus personagens. Dessa forma, convém, relacionar com os dizeres rousseanos “o ser humano nasce livre, mas por toda parte encontra-se acorrentado”, tornando-se evidente que o preconceito linguístico limita o desenvolvimento cultural do país.
Faz-se mister, ainda, destacar que, xenofobia, intrínseca a nossa sociedade, contribui para a persistência do impasse. Em conformidade com um excerto do livro “O lar da Srta. Peregrine para crianças peculiares”, de Ramson Riggs, em que Jacob, por ter sotaque americano, quase foi agredido em um bar do Reino Unido. Fora da ficção, no contexto brasileiro, muitas pessoas sofrem com agressões verbais e fisicas por conta da língua falada, podendo muitas vezes chegar a serem mortas.
Depreende-se, portanto, que enquanto não houver efetiva mitigação do impasse, urge ações estatais. Dessa forma, a Secretária Especial da Cultura (SECULT), em parceria com a midia, deve efetuar incentivos ao desenvolvimento cultural de regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos, por meio cursos técnicos, estágios e divulgações, a fim de que o problema seja solucionado.