Preconceito Linguístico

Enviada em 01/09/2020

A Constituição Brasileira de 1988 – documento que está situado no topo do ordenamento jurídico - garante a todos os indivíduos o direito ao bem-estar social, como também reforça, em seu artigo 3ª, a obrigação do Estado em assegurar o desenvolvimento nacional. Fora dos papéis, percebe-se que uma substancial parte populacional não está sendo incluída nessas determinações, uma vez que o preconceito linguístico impossibilita que essa parcela da população desfrute desse direito, o que figura um obstáculo de grandes proporções. Nesse sentido, é valido apontar o legado histórico e a falta de conhecimento como elementos propulsores da problemática.

Em primeira análise, é notória a questão do contexto histórico, que influi decisivamente na consolidação do problema. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Dessa forma, o preconceito linguístico, mesmo que fortemente presentes no século XXI, apresentam raízes intrínsecas ao passado brasileiro, o que dificulta ainda mais sua resolução.

Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da base educacional. Desse modo, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre o preconceito linguístico, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação do problema.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Portanto, é necessário que as prefeituras, em parceria com o governo do estado, proporcionem a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas nas semanas culturais dos colégios estaduais. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações, dinâmicas e jogos, de modo a proporcionar a visualização do assunto, além de palestras com psicólogos, que orientem a maldade que é o preconceito linguístico para os jovens e suas famílias, com embasamento científico, a fim de efetivar a elucidação da população sobre o tema. Por fim, é importante que o povo brasileiro se encare como responsável pelo problema, pois, de acordo com Platão, o primeiro passo para mover o mundo é mover a si mesmo.