Preconceito Linguístico

Enviada em 14/09/2020

Maurício de Souza na sua obra em quadrinhos a turma da Mônica, criou Chico Bento, um personagem com fala caipira e que acaba sofrendo diversos preconceitos por isso. Entretanto, apesar de se tratar de uma ficção, os quadrinhos, parecem refletir, em parte, a realidade brasileira do século XXI, uma vez que, o preconceito linguístico encontra-se presente no nosso cotidiano, seja pela diferença linguística ou desigualdade social. Logo, são necessárias medidas que visem minimizar essas problemáticas.

Convém ressaltar, em primeiro plano que, o problema advém, em muito, da diversidade linguística. No Brasil colonial, o padre José de Anchieta visando converter os indígenas pela fé cristã, estudou diversas línguas. Nessa perspectiva, pode-se analisar o quanto a conjuntura linguística se tornou diversificada no nosso país, com diferentes dialetos, sotaques e línguas, influenciando, de forma direta, em um preconceito, já que, uma língua quer se sobrepor a outra. Desse modo, faz-se necessário o governo frisar a importância de respeitar a cultura e língua de um povo diversificado.

Outrossim, a desigualdade regional corrobora para perpetuação dessa problemática. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é o oitavo país com maior índice de desigualdade social. Sob esse viés, é possível depreender o quanto a desigualdade está presente nos dias atuais, e já que, a língua está totalmente ligada à estrutura e os valores da sociedade e os falantes da norma culta possuem maior nível de escolaridade, deixando os menos escolarizados sofrendo discriminação pelo modo de escrever ou falar.

Fica claro, portanto, que é do Ministério da Educação o dever de reestruturar as grades curriculares para todos os brasileiros, através de novas matérias que visem mostrar diferenciações lexicais da nossa região, corroborando com fim da desigualdade social e linguística. Ademais, o Governo Federal deve frisar a importância do respeito às diversidades, através de explicações plausíveis de que nenhuma língua se sobrepõe a outra, dando penalidade aqueles que praticassem o preconceito linguístico, a fim de romper com a intolerância no modo de escrever ou falar das pessoas. Só assim viveríamos numa sociedade livres de rejeição no ramo da língua.