Preconceito Linguístico
Enviada em 05/09/2020
No livro “Preconceito linguístico: o que é e se como faz”, do professor Marcos Bagno, são desconstruídos os principais mitos sobre a variação linguística e de certa maneira também é esfacelado o preconceito linguístico, pois o autor diz que não existe uma língua certa ou errada, existem formas adequadas ou inadequadas de falar que dependem do contexto. De maneira análoga ao pensamento do escritor, a discriminação pelo falar acontece cotidianamente na sociedade hodierna, em decorrência de dois fatores: uma intolerância que ainda vigora na contemporaneidade e a divulgação midiática de um estereótipo único de fala, que reprime os diferentes tipos de falar e não permite a variabilidade linguística.
Mormente, é de extrema e fundamental importância entender o passado para possibilitar uma ampla e completa compreensão do cenário atual. Nesse sentido, durante o processo de colonização do Brasil, houve uma repressão do falar português em relação aos falares africanos e indígenas, com o escopo de existir somente um idioma, para garantir a hegemonia dos portugueses. Paralelamente, no ano de 2016, um médico constrangeu um paciente ao zombar de uma palavra pronunciada erroneamente por ele. Com isso, nota-se que o preconceito inescrupuloso, arcaico e cruel está intrinsecamente enraizado na sociedade, determinada condição mostra-se extremamente séria e passiva de mudança, caso contrário tornar-se-a perpétua.
Ademais, a propagação feita pela imprensa sobre um padrão unitário de fala colabora para a manutenção da discriminação, o que inviabiliza o aumento da variedade da língua. Sob esse prisma, a epistemologia Foucaultiana em “Microfísica do poder”, retrata os diferentes mecanismos de opressão e dominação, o idioma é uma forma de poder, pois ao humilhar um falante por sua fala, humilha-se todo um grupo social. Em antítese com a ideia supracitada, o Modernismo Brasileiro tinha como um dos principais objetivos valorizar os falares regionais, populares e o que não era reconhecido tradicionalmente como cultura no Brasil. Logo, é notório que o preconceito linguístico ainda existe em função do não reconhecimento da vastidão do idioma, o que faz com que a sociedade pense que existe somente uma forma de falar, deixando de lado a magnitude da língua portuguesa.
Portanto, medidas são necessárias para estiolar a discriminação sobre a fala. Para que a população tenha consciência da problemática, urge que a imprensa digital, por meio de capital privado, faça campanhas nas redes sociais informando sobre a variação linguística, a riqueza da variabilidade do idioma e como os diferentes tipos de falares enriquecem a identidade nacional. Somente assim, o quadro atual será resolvido, e a intolerância retratada em “Preconceito linguístico” irá ser extinta.