Preconceito Linguístico

Enviada em 01/09/2020

No gibi “Turma da Mônica”, criado pelo cartunista Maurício de Sousa, Chico Bento é um personagem do interior que é submetido à estranheza da turminha mediante sua linguagem caipira. Esse cenário não dista da realidade brasileira, uma vez que as variações linguísticas encontradas no interior brasileiro, como o “caipirês”, são vistas como mau uso da língua portuguesa. Portanto, é necessário analisar o preconceito linguístico em discussão no Brasil.

Em primeiro lugar, é importante dizer que a concepção de que a língua portuguesa é homogênea e estática é equivocada, pois os pesquisadores da área de linguagem, como Pasquale Cipro Neto, admitem que a língua não é uniforme, mas constituída de variedades, isto é, está em constante transformação. Nesse sentido, a língua portuguesa apresenta particularidades atreladas a aspectos regionais, etários, sociais e históricos. Ou seja, há variações conforme a classe social e nível de escolaridade dos indivíduos.

Em segundo lugar, o preconceito linguístico significa apontar as variedades da língua como erro. Esse contexto lamentável é evidente em uma tirinha de Chico Bento, em que seu português, o caipira, é considerado errado pela professora. Dessa forma, assim como a professora de Chico, alguns professores brasileiros agem da mesma forma, por conseguinte, a desigualdade social no Brasil torna-se mais acentuada, assim dizendo, os indivíduos que não seguem a norma padrão da fala são colocados à margem da sociedade. Essa conduta é imprópria, pois esses deveriam ensinar as normas que regem a gramática, já que elas servem como base de sustento do idioma, paralelamente às variações linguísticas que são inerentes à língua.

Dessarte, o preconceito contra as variações é pura ignorância dos que falam sem conhecer profundamente o assunto. Logo, é necessário que o Ministério da Educação priorize, por meio da reestruturação da grade curricular do ensino Fundamental e Médio, na disciplina de português, as diferenciações lexicais brasileiras e suas origens. Essa ação será feita com o apoio de especialistas e historiadores competentes na área de variações linguísticas. Assim, o indivíduo será conscientizado desde a infância acerca das variantes da língua portuguesa.