Preconceito Linguístico

Enviada em 16/09/2020

No livro " Utopia", de 1516, o filósofo Thomas Morus propõe uma sociedade ideal e perfeita. Nela, pontua-se a ausência de adversidades e conflitos, modelo que inspira as civilizações ocidentais. Dessa forma, o preconceito linguístico distancia o Brasil desse lugar utópico. Nesse contexto, cabe reconhecer que a desigualdade regional, bem como, o racismo embutido na sociedade brasileira , são fatores determinantes para a compreensão dessa problemática.

Diante desse cenário, cabe salientar a disparidade regional inerente no país, como fator que ganha força nessa discussão. A esse respeito, vale referenciar o processo de urbanização brasileira iniciado em 1950 por Juscelino Kubitschek que propiciou o início da formação das cidades. Todavia, em razão de seu caráter impensado, não houve planejamento para contemplar um contingente populacional tão acentuado. De modo que, o Brasil teve uma desurbanização desigual, em que apenas algumas regiões foram priorizadas, gerando um grande preconceito com as regiões marginalizadas que não tiveram o mesmo acesso e por consequência ficaram atrasadas em relação as outras, ficando assim estigmatizadas pelas regiões mais desenvolvidas. Como exemplo de tal conjuntura, tem-se o Estado do nordeste que sofre intenso preconceito, pelo sotaque e forma de vida, dos grandes centros gerando assim um desconforto na população nordestina quando há o contato com as demais regiões.

Em uma segunda análise, destaca-se o preconceito racial que é um dos inúmeros fatores que similarmente leva ao preconceito linguístico. Nesse panorama, é visto que, elementos da cultura negra  como a linguagem , ainda são segregados por uma parcela da população posto que, grande parte da população brasileira acredita que a origem das palavras é ligada ao satanismo e a feitiçaria. Elucidando tal circunstância têm-se o O livro “Os subterrâneos da linguagem e do racismo” do escritor Gabriel nascimento, ele discute como essas identidades são racializadas e, por essa razão, apontam como a linguagem é espaço de produção e manutenção do racismo no Brasil”.Portanto são necessárias ações que rompam com esse quadro vigente.

Depreende-se, portanto, que são necessárias medidas que aproximem o Brasil desse lugar utópico. Dessarte, o Governo, principal órgão detentor de poder, juntamente com a Secretaria de Educação, deve promover campanhas e palestras de consciencização nas escolas, que vise instigar a variedade linguística do Brasil.Outrossim, é mister que o Estado juntamente com a Secretaria Especial  da Cultura deve realizar eventos que valorizem a cultura negra no nosso país, para que as pessoas possam entender a sua importância na formação da identidade brasileira, e com a efetiva prática dessas medidas, esse óbice há de ser atenuado.