Preconceito Linguístico

Enviada em 10/09/2020

Cronologicamente, a História começa com a invenção da escrita, uma vez que, o que vem antes disso é considerado pela comunidade científica como pré-histórico. Todavia, ainda que hoje existam regras, a norma culta, para guiar os indivíduos na escrita, a complexidade da formação dos grupos sociais é muitas vezes negligenciada na fala, o que corrobora o preconceito linguístico a nível de Brasil e mundo. Nesse sentido, convém ponderar possíveis causas, consequências e medidas acerca disso.

A priori, os acontecimentos ao longo da história contribuem para a formação da variedade linguística, de culturas que se tornam únicas e servem como referência de um indivíduo ao seu lugar de origem. Desse modo, a exemplo da expressão “uai”, utilizada por parcela considerável do estado de Minas Gerais, no Brasil, que, segundo historiadores tem relação com a Inconfidência Mineira no século dezoito, cuja siglas significam “união, amor e independência”, código utilizado pelos inconfidentes. Com isso, torna-se indubitável afirmar que a compreensão das raízes da linguagem de um povo diz muito sobre ele, o que evita pré concepções alteradas, tornando consciente a ideia que a linguagem deve ser compreendida como identidade cultural de um povo e seu patrimônio histórico.

Além disso, o sujeito é moldado por tudo ao seu redor desde a infância. Segundo o pensamento sobre a origem do conhecimento proposto por Aristóteles, a observação é o segundo passo depois da empiria. Com isso, pode-se afirmar que, quanto mais precocemente alguém é apresentado à diversidade linguística do mundo, mais cedo terá consciência do quão complexo e interessante foi a construção das sociedades e é a manutenção das formas de falar. Logo, possíveis intolerâncias com o diferente são fruto do estranhamento que causa o desconhecido, sendo o ambiente de criação influenciador em partes do modo de agir e pensar.

Portanto, a fim de atenuar o preconceito linguístico, a Organização das Nações Unidas (ONU) deve propor aos países, por meio da Carta de Anistia, a valorização da diversidade linguística em cada país, com as suas peculiaridades, sugerindo a criação de eventos e datas comemorativas fixas que sejam divulgadas mundialmente por meio da mídia, com o intuito de explanar conhecimento em prol da alteridade entre as nações, além de perpetuar o respeito por gerações.