Preconceito Linguístico

Enviada em 01/09/2020

Na obra “Alegoria da caverna de Platão”, o filósofo exemplifica que vivemos presos em um mundo preconceituoso, e que na realidade somos orientados para tais comportamentos. De maneira análoga,o preconceito linguístico representa atitudes de pessoas que vivem presas a tal amarra antagônica. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se relevantes: a displicência estatal e a lacuna educacional.

Em primeiro lugar, é fulcral pontuar que uma das causas do preconceito linguístico deriva da negligencia governamental. Isso posto, segundo os liberais como John Locke, o estado baseado numa constituição, deve garantir os direitos naturais do homem. Contudo, devido à baixa atuação das autoridades, a diversificatividade nos modos de falar, principalmente quando, por exemplo, um cidadão nordestino visita o sul do Brasil, é alvo de tal enjeitamento, sentindo-se inferior pelo simples motivo do sotaque e pelo modo que articula suas frases. Desse modo, faz-se mister uma reformulação dessa engrenagem estatal de forma urgente.

Em segundo lugar, alude-se ao pensamento do intelectual Paulo Freire, ao evidenciar que, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sob essa perspectiva, percebe-se a importância da educação nas escolas para construção de uma coletividade menos preconceituoso, haja vista que a escola desenvolve papel fundamental na formação moral e ética dos cidadãos. Contudo, esse pensamento parece não ser refletido pelos lideres de estado, o que resulta em mais uma barreira no combate dessa problemática.

Portanto, é necessário que o  Ministério da Educação e Cultura (MEC) desenvolva palestras educacionais em escolas públicas e privadas, aberta não somente aos alunos, mas a toda a população, com intuito de informar-los acerca da pluralidade linguística. Tal ação deve contar com estudiosos do tema, para melhor compreensão dos demais. Com isso, a coletividade alcançará o mundo inteligível que Platão descreve e os brasileiros verão o direito garantido pela constituição como uma realidade.