Preconceito Linguístico
Enviada em 04/09/2020
Fala-se muito atualmente sobre o preconceito linguístico, porém pouco se discute suas causas, que estão estreitamente relacionadas a questões históricas, culturais econômicas. Afinal, assim como qualquer outra forma de discriminação, o preconceito linguístico, está associado a questões de poder, acompanhadas da defesa de uma suposta evolução.
É preciso, primeiramente, absorver que a língua vai além da gramática, visto que ela abrange desde a linguagem formal, diretamente regida pelas normas, até a linguagem coloquial, dependente de questões históricas e costumes da região. Por isso, levando em consideração que a língua está em constante mudança, não se deve colocar a linguagem usual/informal como errada ou até mesmo inferior, visto que, ambas tem seu devido valor para a língua portuguesa brasileira.
Observa-se também que a colocação de um tipo de linguagem como mais evoluída a outra tem relação direta com as questões hierárquicas na sociedade. O filósofo alemão Karl Marx afirma que as relações de poder em uma sociedade vão além de aspectos econômicos, abrangendo também questões sociais, culturais e nesse caso, a linguagem. Prova disso é que, a forma de pronunciar, vista como certa, geralmente é pertencente aos grupos detentores do poder e capital.
Dessa forma, para que se possa solucionar essa problemática, é necessário desconstruir o ideal positivista de linguagem. Então, medidas precisam ser postas em prática. Sendo assim, é cabível que o Ministério da Educação promova discussões a respeito do preconceito linguístico no ambiente escolar, por meio de alterações na matriz curricular das escolas públicas, de nível fundamental e médio, na disciplina de língua portuguesa, promovendo frequentes discussões sobre os conceitos de língua e gramática e suas devidas aplicabilidades no uso cotidiano. A fim de se alcançar o respeito a diferentes tipos de linguagem que vigoram em todo território brasileiro, desconstruindo-se a ideia de que a norma culta, pertencente aos grupos dominantes economicamente, é a única correta.