Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
Em um país no qual a extensão territorial é notória e teve uma ocupação social miscigenada, após anos ao ser povoado pelos europeus e pelos africanos, a forma diferenciada como cada região pronuncia as palavras é uma marca de destaque no país. Essas variedades históricas, muito embora carreguem um grande valor cultural, são motivos de discriminação por parte de alguns indivíduos que se consideram superiores ou desconhecem a originalidade da questão, ou seja, em um território com climas variados, o que interfere na abertura da boca ao emitir um som, e no qual muitos povos com línguas natais diferenciadas ocuparam, a fala de forma única é um desserviço frente à questões que são problemas verdadeiros. Dessa forma, para combater o preconceito linguístico é imprescindível a desmistificação da supremacia do português formal.
Nesse contexto, de acordo com o linguista Marcos Bagno a marca social da fala não deve ser instrumento de exclusão e nem de discriminação, bem como prerrogativa para mensurar o nível cultural de um indivíduo. Entretanto, durante o avançar dos anos, infelizmente, tem ocorrido a reafirmação do oposto, isto é, a precisão vocabular perante às vigências da norma culta são usadas diariamente como instrumento de manipulação social, muitas vezes inferiorizando e ignorando aqueles que não possuem a mesma desenvoltura comunicativa.
Ademais, tal questão eleva o problema ao âmbito da violação dos Direitos Constitucionais, uma vez que inúmeros indivíduos têm sua cidadania invisibilizada apenas por não se expressarem da mesma forma que os que são mais privilegiados se externam. A fim de exemplificar, na obra ’’ Vidas Secas’’ Graciliano Ramos descreve o personagem Fabiano com uma interação oral muito primitiva, fator que diversas vezes é usado como justificativa, pelo meio social, acerca da marginalização ao qual ele e sua família vivem. Nesse sentido, é notório que o preconceito linguístico pode ser usado como forma de dominação política na medida em que despreza e acentua a desigualdade social.
Portanto, o Ministério da Educação, juntamente com a Secretaria de Cultura de cada estado brasileiro, deve financiar autores de desenhos como “A Turma da Mônica” e “O Sítio do Picapau Amarelo” a desenvolverem episódios direcionados a valorização de todas as variedades linguísticas do país, assim como mostrar a importância do domínio da norma culta em casos de comunicação formal, a fim de se conseguir entendimento de ambos os lados. Isso deve ocorrer de forma programada e estudada como auxílio de pedagogos, para que a mensagem seja compartilhada de forma clara e precisa. Além disso, as animações devem ser transmitidas principalmente pelas redes televisivas, com o efeito social de atingir a maior quantidade de pessoas possíveis.