Preconceito Linguístico

Enviada em 15/09/2020

Os feníncios, povo da Idade Antiga conhecido principalmente pelo seu grande domínio naval, foram responsáveis pela criação do alfabeto, tendo como objetivo facilitar o comércio e agilizar a comunicação. Conforme a linguagem e a escrita se desenvolviam, foram se estabelecendo padrões e regras que as regulassem, surgindo assim a norma-culta. Entretanto, no Brasil, não são todas as pessoas que possuem acesso ao seu aprendizado, além de que as condições socioecômicas dos indivíduos refletem diretamente na forma como se comunicam. Essas variações na comunicação acabam por acarretar preconceitos linguísticos por parte daqueles que consideram sua maneira de falar superior a de outros grupos, propulsionando a exclusão social.

Em primeira análise, vale ressaltar que a educação brasileira é desigual. De acordo com o IBGE, em 2018, havia 11,3 milhões de pessoas analfabetas com 15 anos ou mais de idade, evidenciando uma deficiência no sistema educacional em garantir uma educação de qualidade para todos. Essa falta de acesso educacional está relacionada com a desigualdade vivenciada por muitos indivíduos e aqueles que se encontram em condições socioecômicas desfavorecidas, têm também a inferiorização e consequente exclusão devido a sua forma de falar, visto que socialmente existe uma aparente subordinação da língua a norma-culta, que é dominada por classes de maior poder aquisitivo que tiverem acesso por meio da educação a maneira “correta” de se falar.

Além do mais, é importante destacar que antes da criação da norma-culta, já se existia a linguagem oral, estando diretamente ligada as identidades culturais e as diferentes formas de se enxergar o mundo. A UNESCO a considera vetor fundamental de comunicação entre os indivíduos e que representa uma parte essencial do patrimônio cultural de um país. Logo, agir de maneira preconceituosa ou satírica frente a maneira de falar e se expressar de um grupo social é também discriminar parte de sua cultura e colaborar com a persistência de esteriótipos pejorativos criados para humilhar esses indivíduos.

Portanto, medidas devem ser tomadas para acabar com o preconceito linguístico que infelizmente ainda se faz presente. Dessa forma, é necessário que o Ministério da Educação desenvolva projetos didáticos com o intuito de implantar a diversidade linguística na educação e nos processos de alfabetização. Isso pode ser feito por meio da inserção de uma matéria específica para o estudo do multilinguismo e da sua importância cultural na base curricular, aumentando a qualidade da educação e os entendimentos interculturais. Sendo assim, será possível preservar as identidades culturais e formar uma sociedade cada vez mais inclusiva.