Preconceito Linguístico
Enviada em 01/09/2020
Para dizerem milho dizem mio/ para melhor dizem mió/ para pior dizem pió/ para telha dizem teia/ para telhado dizem teiado”. O trecho do poema de Oswalde de Andrade, poeta modernista, expõe a variação linguística existente no Brasil. Esse fenômeno sociocultural tem sido alvo de bastante preconceito no país. Tal prenoção tem acentuado outros problemas com os quais tem relação, a exemplo da desigualdade social e a xenofobia. Portanto, faz-se necessário analisar esses fenômenos sociais para chegar à soluções efetivas.
Em primeiro lugar, é relevante salientar a relação do preconceito linguístico com a segregação social. Segundo o linguista brasileiro Marcos Bagno, no seu livro “Preconceito Linguístico”, o conhecimento da gramática normativa é utilizado como instrumento de distanciamento e de dominação pela população culta. Vale ressaltar que aqui no Brasil, a norma culta da língua portuguesa é usada por pessoas que têm um nível alto de escolaridade e, consequentemente, uma boa condição financeira. Logo, com isso, ocorre a evidenciação da desigualdade social já existente no país, já que as pessoas que falam “errado” são as que tem um baixo nível de escolaridade e condição financeira e, por conseguinte, a submissão de uma parcela da sociedade em relação à outra.
Outrossim, essa descriminação também pode causar o agravamento de um outro problema já bastante evidente em nossa sociedade, a xenofobia. Embora seja afirmado pelo linguista Marcos Bagno que não existe, na língua portuguesa, a forma certa ou errada, é comum na comunidade brasileira certo tipo de preconceito com regiões consideradas mais pobres ou atrasadas, a exemplo do Norte e do Nordeste. Junto à isso, há uma prenoção quanto ao sotaque advindo dessas regiões, que muitos julgam como errado por estar fora da norma padrão brasileira.
Infere-se, portanto, que são necessárias medidas para que ocorra a diminuição do preconceito linguístico no Brasil. Diante da evidente relação entre a variação linguística e a língua portuguesa, cabe ao Ministério da Educação desenvolver projetos de lei para que possa incluir, na grade curricular escolar, o ensinamento das variantes linguísticas existentes no Brasil, a fim de mostrar que elas não são errôneas, mas que apenas mostram a diversidade cultural existente no País. Dessa forma, com um conhecimento prévio dessas diferenças culturais, seria possível atenuar a desigualdade social e a xenofobia causada causada pela prenoção linguística.