Preconceito Linguístico
Enviada em 01/09/2020
Em sua obra “Utopia”, Thomas More descreve uma sociedade idealizada, na qual não existem quaisquer entraves. Todavia, no Brasil, observa-se uma realidade distinta da mencionada pelo filósofo, marcada por graves problemas, a exemplo do preconceito linguístico. Logo, faz-se imperiosa a análise da rejeição socioeconômica e da intolerância regional, por estarem relacionadas à atual problemática, com o intuito de mitigar o impasse.
Em primeira análise, o prejulgamento com base socioeconômica está intimamente atrelada ao contexto nocivo supracitado. Sob esse viés, no poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, são mencionadas, repetidamente, pedras no decorrer dos versos, as quais podem ser classificadas como obstáculos que impedem o progresso coletivo. De maneira análoga, é evidente que as pedras presentes nos versos condizem com a realidade, pois as classes mais pobres são julgadas pelo modo de falar, decorrente da baixa escolaridade, por apresentarem uma comunicação distante da norma culta. Dessa forma, caso esses empecilhos não sejam solucionados, o preconceito linguístico se intensificará, o que pode ocasionar agressões e a exclusão social desses grupos.
Ademais, é fato que a incomplacência regional colabora para que grupos de certos locais discriminem o modo de falar de outras regiões. A esse respeito, o intitulado “Brasil: um País do futuro” é um livro escrito por Stefan Zweig, resultado do período em que o autor esteve exilado no Rio de Janeiro, durante a expansão nazista pela Europa. Em contraste ao título adotado pelo autor, é irrefutável afirmar que o País encontra-se longe de corresponder ao esteriótipo idealizado, uma vez que é comum que indivíduos que moram em lugares mais desenvolvidos do país desprezem os sotaques de áreas mais interioranas. Desse modo, é evidente a necessidade da mudança de mentalidade, pois, caso contrário, acarretará casos de xenofobia na nação.
Portanto, é mister que providências devem ser tomadas para amenizar o quadro atual. Destarte, com a finalidade de atenuar os efeitos do preconceito linguístico, urge que o Governo Federal, especialmente por promover grandes mudanças na sociedade, crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias que esclareçam à população que a norma culta ensinada nas escolas não é algo rígido ou uma regra absoluta, pois variações podem acontecer. Somente assim essa nefasta conjuntura será gradativamente erradicada, pois, conforme Gabriel, o Pensador: “Na mudança do presente, a gente molda o futuro”.