Preconceito Linguístico

Enviada em 15/09/2020

Na década de 1770, o déspota conhecido como Marquês de Pombal, com intuito de estrangular a cultura dos indígenas, proibiu que estes falassem sua língua materna. Tal acontecimento ficou conhecido como o primeiro caso de preconceito linguístico oficial do Brasil. Já na atual contemporaneidade, os brasileiros debatem se a implantação da gramática configura-se como um caso similar. Seria a norma culta um instrumento preconceituoso que tem como o finalidade acabar com a  cultura e identidade de comunidades brasileiras?

O papel da gramática normativa é justamente uniformizar a língua, para que pessoas de regiões e condições econômicas diferentes conversem como iguais, sem prejuízo semântico ou estranheza. Por esse motivo, ela não tem como objetivo acabar com cultura e identidade de grupos sociais. O rigor das entrevistas de emprego e concursos públicos para o uso da linguagem formal é necessário, principalmente em um Brasil que, a cada dia que passa, fica mais integrado. A exemplo disso, temos o produto da mineração e siderúrgica da Região Concentrada transportada diretamente para Zona Franca de Manaus, onde lá, é transformado em bens eletroeletrônicos de alta tecnologia, que supre grande parte da demanda nacional por tais aparelhos. Em vista de tal processo integrado, entende-se a necessidade de profissionais hábeis e com ótimas habilidades de comunicação, o que inclui, bom domínio da norma culta.

Não obstante, há também militantes que apoiam que haja no Brasil, ensino plural às variedades linguísticas. Apesar de parecer uma boa ideia, em um país com 27 unidades federativas e mais de cinco mil municípios, percebe-se a inviabilidade técnica de tal projeto. Obrigar crianças e adolescentes em idade escolar a aprender mesmo que uma dezena dessas, é um contrassenso. O eficiente é o reforço do ensino da quase perene norma culta, não com o objetivo de acabar com o informalismo, mas com o de unir grupos heterogêneos. Ninguém deve ser proibido de falar a língua que quer, entretanto, para haver diálogo, é necessário comunicar-se de modo que o interlocutor entenda.

Por isso, dado o exposto, fica evidente a necessidade de haver, em um Brasil multicultural e  industrialmente integrado, um adequado ensino da gramática, que respeite o informalismo nativista, mas que foque-se em educar o cidadão quanto a norma culta. Com este objetivo, o Ministério da Educação deve aumentar a carga horária das aulas de língua portuguesa tanto no Ensino Médio quanto no Fundamental. Concomitantemente, o MEC precisa implementar em seu site videoaulas gratuitas, que possam ser acessadas por todos os cidadãos brasileiros, o que garante que, mesmo após o término do ensino médio, estes possam se reeducar e permanecer fluentes no português técnico.