Preconceito Linguístico

Enviada em 16/09/2020

Segundo Marcos Bagno, professor e linguista, o preconceito linguístico é todo juízo de valor negativo, seja de reprovação, repulsa ou até mesmo de desrespeito as variedades linguísticas de menor prestígio social. De tal maneira, está associado as diferenças regionais, desde dialetos, regionalismo, gírias e sotaques, os quais são desenvolvidos ao longo do tempo e que envolvem os aspectos históricos, sociais, e culturais de determinado grupo. Nesse sentido, o preconceito linguístico deriva de um preconceito regional onde há ridicularização da fala, e também de uma desigualdade econômica, onde classes mais baixas tem acesso limitado à educação e, consequentemente, são excluídas do mercado de trabalho.

Primeiramente, no Brasil, o preconceito linguístico tem raiz histórica imposta pelos portugueses desde a era colonial, onde jesuítas introduziram novos dialetos aos povos nativos indígenas, pois acreditavam que a língua “tupi” não era comunicativamente eficiente, porquê não poderia comunicar conceitos abstratos ou teorias, ou que não são gramaticalmente completas, fazendo com que esse preconceito perpetue no Brasil contemporâneo. A exemplo, o modo como a fala nordestina é retratada nas novelas brasileiras, onde todo personagem de origem nordestina é, sem exceção, um tipo grotesco, rústico, atrasado, criado para provocar o riso, o escárnio e o deboche dos demais personagens e do espectador. Nesse caso, muitas palavras pejorativas e depreciativas são utilizadas para determinar algumas dessas pessoas através de um estereótipo associado as variedades linguísticas, por exemplo, o caipira, o baiano, o nordestino, o roceiro, dentre outros.

Outrossim, vale salientar que com a consolidação do sistema capitalista no século XVIII, a sociedade passou ter uma desigualdade econômica. Por conseguinte, membros das classes mais pobres por terem acesso precário à educação, acabam dominando apenas as variedades linguísticas mais informais e de menor prestígio social. Logo, essa população acaba sendo excluída e eliminada de seleções de emprego, o que colabora para a manutenção do ciclo da pobreza: os destinos do pai e do filho, pobres e sem acesso às boas escolas, acabam sendo os mesmos, com poucas oportunidades de mudança de classe social.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, é preciso intervenção do Estado junto do Ministério da Educação, por investimentos na educação pública, na cultura, e na mídia para a propagação do princípio da adequação linguística. Assim, visando o fim do preconceito linguístico em diferentes regiões e classes sociais.