Preconceito Linguístico

Enviada em 10/09/2020

Durante a Colonização Brasileira, houve a convivência de diferentes etnias, em virtude disso, há uma abrangência de variações linguísticas do português. No entanto, hodiernamente, a variedade da língua, no país, sofre prejulgamentos que está intrinsecamente ligado à mentalidade inerte do povo brasileiro, logo, gerando a exclusão da parcela socialmente vulnerável da sociedade. Com isso, surge a problemática do preconceito linguístico que persiste no Brasil, seja pelas defasagens do sistema educacional, seja pela influência midiática.

Primeiramente, é indubitável ressaltar que a educação obsoleta contribui para a proliferação do preconceito linguístico. Nesse sentido, esse panorama é explicado pelo sociólogo Zygmunt Bauman em seu conceito de “Instituições Zumbis”, o qual algumas instituições não exercem suas funções de forma eficiente. Dessa forma, é evidente que as escolas não cumprem com o dever de educar corretamente, uma vez que não debatem sobre as variações da língua presentes na nação brasileira. Consequentemente, os jovens, por não serem informados sobre essa vertente, praticam atos discriminatórios com os migrantes. Destarte, é notório que, no Brasil, o direito ao acesso à informação e educação, garantido pela Constituição Federal de 1988, não sai do papel.

Ademais, outro aspecto a salientar é que a má ação da mídia fomenta o preconceito linguístico. Nesse ínterim, em concomitância com o filósofo Theodor Adorno na sua teoria “Indústria Cultural”, a qual denota que os meios de difusão de informação visam apenas a aquisição de usuários e não pondera o conteúdo exposto. De maneira análoga, é perceptível que as redes sociais são as principais disseminadoras de inverdades sobre a variação linguística, visto que influencia o indivíduo a pensar que existe uma linguagem mais correta em detrimento de outra. Por conseguinte, nota-se, diariamente, ataques virtuais contra os cidadãos nordestinos. Dessarte, é coerente que tal fator corrobora para a construção de um cenário desafiador para a comunidade.

Infere-se, portanto, que o preconceito linguístico é um mal para a sociedade brasileira. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, promover palestras mensais nas escolas, ministradas por professores de língua portuguesa, abordando a importância da heterogeneidade da língua, bem como lançar vídeos curtos e dinâmicos nas redes sociais, explicando o porquê da linguagem ser heterogênea e sua construção desde a época da Colonização, com o fito de atenuar a prática do bullying e conscientizar os estudantes sobre esse assunto. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país desenvolvido socialmente.