Preconceito Linguístico

Enviada em 10/09/2020

A essência da língua

A língua precede a civilização e, até mesmo, a palavra, ela é responsável por exteriorizar sentimentos, comunicar desejos e estabelecer certos laços sociais. Infelizmente, devido à falsa ideia do saber e ao conservadorismo vigente, na sociedade, a língua é confundida com a norma culta, criando-se, assim, preconceitos gramaticais e destruindo-se a diversidade linguística.

Na Grécia Antiga, diversos filósofos refletiam sobre a origem do conhecimento. Platão, por sua vez, estabeleceu dois mundos: o mundo sensível e o mundo inteligível. O primeiro era a manifestação turva do segundo, o qual detinha todo o saber concreto e possível, e, portanto, a realidade aparente no mundo sensível não passava de merda ilusão. Deste modo, análogo à alegoria do filósofo grego, o preconceito linguístico é encontrado nas relações sociais, pois os ditadores da língua, armados das ilusões e das falsas ideias do saber, julgam, de forma errônea, os desvios de linguagem, os quais  dão vida e diversidade à fala.

Outrossim, o conservadorismo vigente na sociedade julga e condena aquilo que é diferente ou novo. Assim, novos modos de falar são oprimidos pela simples noção de que a tradição linguística é imutável. Segundo Karl Marx, as relações sociais, como política, religião e cultura, são produto da economia. Ou seja, determinadas estruturas sociais só são o que são devido a uma superestrutura, a qual envolve e influência as demais. Por conseguinte, a norma-padrão atual não pode ser vista como imutável, porque ela é consequência de diversos acontecimentos históricos. E, como a própria história,  deve ser dinâmica.

Evidencia-se, portanto, a confusão social entre língua e norma culta, além de que, essa confusão é consequência de tradições equivocadas do saber. Assim, é necessário que as mídias audiovisuais, por meio de novelas regionalistas, transmitidas em horários nobres, demonstrem as diferenças linguísticas de cada país. Deste modo, a audiência incorporará todo o mosaico linguístico existente em sua nação de forma passiva e gradual e colocará, no lugar do preconceito, a verdadeira essência da língua: exteriorizar sentimentos, comunicar desejos e estabelecer laços sociais.