Preconceito Linguístico

Enviada em 09/09/2020

A série “Escolinha do Professor Raimundo”, da Rede Globo, reproduz uma sala de aula com alunos de diferentes lugares e classes sociais, um dos personagens é o “caipira” e toda vez que ele fala algo é ridicularizado ou o professor o corrige. De maneira análoga à série, nota-se que a depreciação de uma expressão linguística é um problema causado pelas transformações sociais e pressão de um esteriótipo “correto” de falar.

Inicialmente, é importante destacar que há uma uma pressão fomentada desde a escola para que todos os cidadãos falem da “maneira correta”. Uma vez que, segundo um levantamento de escolas em Goiás, 60% dos alunos já sofreram discriminação pela forma de escrever ou falar. Contrariando assim a Constituição de 88, que garante a liberdade de expressão. Com isso, é notório que a fase escolar tem um papel importante na formação intelectual e linguística de um indivíduo.

Além disso, vale salientar que o território brasileiro é miscigenado, o que coadjuva a progressão de outras maneiras de exteriorização pela língua. Como no período de urbanização no Brasil, em meados de 1960, que foi incentivado uma grande corrente de fluxos migratórios internos, fundindo assim os feitios linguísticos em cada região. De maneira semelhante o que diz o linguista Seassure, a língua é um ente vivo em constante transformação pelas interações sociais.

Destarte, é necessário que o Ministério da Educação, aliado às secretarias municipais, por meio de verba governamental, invista em brincadeiras lúdicas em escolas com crianças e palestras para jovens estudantes sobre o tema do preconceito linguístico. Além disso, é preciso que a Secretaria de Comunicação divulgue nas redes sociais, particularidades da maneira de falar de cada região do Brasil, incentivando o maior conhecimento da população. Esperando assim, que não haja mais motivo cômico ou depreciativo ao indivíduo que se expressa de maneira diferente, mas sim reconhecer o território fértil e cultural do Brasil.