Preconceito Linguístico

Enviada em 16/09/2020

Na obra " Alegoria da caverna", do século IV a.c, o filósofo grego Platão propõe uma metáfora que exemplifica as crenças que limitam o homem de evoluir. Nela, pontua-se o comodismo do homem frente aos seus óbices, restringindo sua capacidade de progredir. De maneira análoga, vê-se que o preconceito linguístico tem sido um empeço para o desenvolvimento do pais. Nessa lógica, cabe reconhecer raízes históricas da variedade linguística, bem com a desigualdade social e educacional. Assim, tais fatores são determinantes para a problemática em questão.

Em uma primeira abordagem, destaca-se que desde tempos arcaicos há um preconceito enraizado na sociedade em relação as diversidades linguísticas visto que o Brasil tem uma expansão territorial considerável, gerando assim as diversas formas de viver e se comunicar. Desse modo, observa-se que, a forma de falar está relacionada à cultura e ao histórico da população. A esse respeito, vale referenciar a colonização portuguesa, que com a vinda de escravos e comerciantes estrangeiros, houve uma mistura de idiomas e culturas, onde predominou-se o português com inúmeros sotaques e formas de falar. Nessa perspectiva, vê-se que estas diversidades de modos de pronunciar geram discriminações linguísticas, e por consequência disso os indivíduos tendem desenvolver problemas de sociabilidade e ate mesmo psicológicos . Em suma, cabe-se ressaltar que essa é uma crença limitante na população. O que urge mitigação.

Em uma análise mais aprofundada, observa-se que há uma grande desonra da sociedade com aqueles que não dominam, nem seguem a normativa padrão da língua Portuguesa, e por efeito disso são menosprezados no mercado de trabalho, no âmbito escolar e socioeconômico. Á luz dessa ótica, evidencia-se que pessoas embasam na gramática normativa para definirem o que seria ‘‘certo’’ e ‘’errado’’, linguagem essa pouca conhecida nas classes menos favorecidas, e isso ocorre pela da falta de educação do povo periférico que não teve acesso a um ensino público adequado, decorrentemente aumentando ainda mais a desigualdade social. Assim, são urgente ações que rompam com o quadro vigente.

Depreende-se, portanto, que o homem abandone a caverna usada como metáfora por Platão e explore um novo mundo de possibilidades libertadoras. Dessa forma, o Governo - principal órgão detentor de poder público - em parceria com o Poder Midiático, deve promover campanhas e palestras por meios de recursos tecnológicos, com o intuito de sanar as crenças e atitudes que incentivam o preconceito linguístico. Ademais, o Estado juntamente com o MEC - Ministério da Educação - deve inserir aulas culturais com objetivo de conscientizar de que todo falante nativo de uma língua é um usuário competente dessa língua. Com a efetiva prática dessas medidas esse problema há de ser atenuado.