Preconceito Linguístico

Enviada em 03/09/2020

Entre os 30 artigos da Declaração dos Direitos Humanos anunciada pela ONU em 1948 e assinada por todos os países membros, incluindo o Brasil, consta o direito da liberdade de expressão independente de qualquer fator. Porém, essa realidade não se faz presente no Brasil e no mundo, uma vez que o preconceito linguístico alimenta a ideia de que apenas pessoas com o domínio da norma culta possam se expressar, ótica intensificada por conta de um discurso elitista e a falta de integração da população brasileira como um todo.

Em uma primeira análise, é importante salientar que o preconceito em relação à maneira como cada indivíduo se comunica diminui ainda mais a presença das classes mais baixas no debate público, reforçando a desigualdade social pela falta de representatividade. De acordo com o IBGE, 40% da população de 25 anos não tem ensino fundamental completo, portanto, uma grande parte da população tem menos acesso às regras da norma padrão e excluir essa parcela da população diminui ainda mais o alcance de oportunidades.

Concomitantemente, o ensino brasileiro apresenta um déficit no que tange a tolerância em relação à diferentes formas de falar dentro do próprio país, formando jovens que não possuem uma visão geral sobre a diversidade brasileira. De acordo com Albert Einstein “mais fácil quebrar um átomo do que o preconceito”, portanto qualquer tipo de preconceito, inclusive o linguístico, deve ser desmistificado desde o início da formação dos indivíduos.

Mediante os fatos expostos, medidas devem ser tomadas para resolver o impasse. O Ministério da Educação e Cultura, juntamente com governos municipais, deve promover, por meio de verbas governamentais, campanhas e palestras de integração social nas escolas para acabar com o preconceito sobre diferentes formas de se comunicar. Além disso, é necessário promover aulas sobre tolerância e convívio social, ministradas por professores de sociologia. Dessa forma, a população terá maior liberdade de expressão, consentindo com a Declaração dos Direitos Humanos de 1948.