Preconceito Linguístico

Enviada em 16/09/2020

Preconceito linguístico e o distânciamento socioeconômico

Criado em 1961, pelo cartunista brasileiro Maurício de Sousa, Chico Bento é caracterizado como um típico caipira brasileiro, que além de andar descalço e usar chapéu de palha, reproduz o dialeto caipira. Debates na década de 80 alegavam que a revista do Chico Bento ensinava às crianças a falarem errado.

A face do personagem caipira é apenas uma das várias existentes no nosso país. Quando falamos em preconceito linguístico, é necessário visualizar o Brasil em sua proporção real, um país de dimensões continentais, onde a língua tende a se modificar de acordo com os costumes, crenças e, inclusive, a partir do nível de investimento público apresentado à determinadas regiões. Assim sendo, nota-se que o preconceito linguístico pode ser entendido como uma face do preconceito socioeconômico, disseminado em todo o país.

Segundo o professor, linguista e filósofo Marcos Bagno, uma parte da sociedade utiliza da língua como ferramenta de dominação, dirigindo-se da elite econômica para as classes mais pobres, visto que o desconhecimento da norma-padrão, por parte dessas pessoas, relaciona-se com o baixo nível de qualificação profissional.

Entendendo que a principal consequência do preconceito linguístico é a reforçar os demais preconceitos a ele relacionados, percebe-se a necessidade de medidas sociais e educacionais para atenuar tal problema.

O ministério da educação (MEC), somado com a influência da mídia, e a participação direta das escolas, necessita divulgar, e barrar, o ideal de “certo” e “errado”, instruindo-os a questionar se tal variedade linguística é adequada ou não a situação em que ela se manifesta. Pode-se concordar com a frese de Albert Einstein “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito enraizado”, mas sempre é preciso dar o primeiro passo.