Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
Na obra “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, é retratada a vida de Policarpo Quaresma, um subsecretário que não propor o reconhecimento da língua tupi como idioma nacional, é tudo como louco. Porque, para a sociedade da época, a língua portuguesa é superior ao tupi. Fora da Ficção, a vida imita a arte e tem-se o preconceito linguístico presente no cotidiano de alguns brasileiros. Tais discriminações se dão pelo pouco contato da grande massa com a norma culta e pela idealização da gramática normativa.
Do ano 1871 à 1914, aconteceu no Brasil a Era Dourada, esta era trouxe à sociedade o padrão de vida mais elegante, incluindo o domínio da língua culta portuguesa, o qual apenas a elite tinha acesso. A maior parte da população, por sua vez, não tinha acesso às leituras, não conseguindo atingir o padrão da norma culta, tornando-os - para a elite - inferiores e passíveis de discriminação pelo seu léxico. Tal fato influencia diretamente na atualidade, pois, consoante ao Datafolha, 30% dos brasileiros já sofreram discriminação por não falar corretamente de acordo com a língua culta padrão. Dessa maneira, àqueles que não atingem este padrão, sentem-se inferiores.
Outrossim, o escritor Marcos Bagno afirma que a gramática normativa é apenas uma idealização das pessoas cultas, e a compara com um Iceberg, na qual, a norma culta é apenas a parte superficial e a parte escondida é a língua viva, falada pela maioria do povo brasileiro. A idealização da gramática normativa corrobora para o aumento da discriminação linguística, já que esta exclui todos os dialetos que enriquecem o português falado no Brasil e toda a sua carga cultural, excluindo, consequentemente, a maioria dos brasileiros.
Portanto, é inadiável que o Estado tome providências para a conscientização da população brasileira. Urge que o governo puna aqueles que discriminarem o próximo pela forma de falar, por meio de leis mais rígidas, afim de diminuir o preconceito sofrido por vários cidadãos. Ademais, é imperioso que o Ministério da Educação e da Cultura criem campanhas, por meio de distribuição de livros com todos os dialetos brasileiros afim de aumentar o respeito pela imensa variedade linguística brasileira. Dessa forma a sociedade, poder-se-á progredir e exterminar o preconceito.