Preconceito Linguístico

Enviada em 12/09/2020

Segundo o terceiro artigo da Constituição de 1988, um dos fundamentos da República Federativa do Brasil é promover o bem de todos. No entanto, questões advindas da segregação social da população  brasileira em vista do preconceito linguístico, evidencia que o direito previsto no dispositivo legal não está sendo cumprido. Nessa perspectiva, dois aspectos tornam-se relevantes: o bullying e a exclusão social.

De início, é importante ressaltar que a cultura brasileira é enraizada e influenciada por diferentes grupos sociais, haja vista que, indígenas, africanos, asiáticos e europeus estabeleceram vínculos sociais por toda história do país. Nesse viés, o extenso território atrelado a diferentes estilos sociais evidenciam a pluralidade cultural e linguística. No entanto, indivíduos com a língua diferente do padrão vivido, principalmente, nas grandes metrópoles, sofrem bullying por conversarem de uma maneira que corresponda a sua origem, e não do local padronizado. Prova disso, um acontecimento nas mídias foi compartilhado por um médico de uma grande cidade, expondo seu paciente que trocava as palavras e dizia ‘‘peleumonia’’, ao invés de pneumonia, pelo seu caso clínico. Nesse contexto, o vídeo foi filmado no intuito de ridicularizar o senhor que vivia no interior.

Ademais, é inegável a importância do ensino escolar tanto para o desenvolvimento intelectual do indivíduo, quanto para formação do senso crítico, afim de inseri-lo no meio globalizado. No entanto, o preconceito linguístico nas escolas impede o crescimento dos alunos, excluindo-os de forma sistemática do contexto social e educacional. Nesse viés, segundo o jornalista Gilberto Dimenstain, exemplifica em sua obra ‘‘Cidadãos de Papel’’ como as leis previstas são fantásticas, mas na prática as denominou como letras mortas, pela falta de efetividade. Logo, é inegável os danos causados pela exclusão  das pessoas fora do padrão linguístico, comprometendo seu desenvolvimento e excluindo-les do meio social, exigindo medidas justas para mitigar tal problemática.

Portanto, urge ao Ministério da Educação capacitar os profissionais da educação, por meio de palestras e cursos para condicionar como deve ser conduzida a inserção de um aluno com uma linguagem ‘‘diferente’’, a fim de inseri-lo na sociedade, conduzindo seu crescimento intelectual e educacional. Paralelamente, cabe ao governo promover o merchandising social, por meio de séries, telenovelas e peças de teatro, com o intuito de normalizar e formar o senso crítico da população, reduzindo os danos causados pelo preconceito linguístico e, também,  promovendo o bem de todos. Dessa maneira, com medidas pontuais e gradativas, a Carta Constitucional Cidadã poderá ser ampliada.