Preconceito Linguístico
Enviada em 11/09/2020
Recém tirada a faixa dos olhos de um Bird Box, o mundo viu-se livre e desconstruído após o final da Guerra Fria e a queda do muro de Berlin, em 1989. Contudo, despreparado para lidar com o fim das faixas e dos muros, esse mundo vive atualmente problemas relacionados à preconceito linguístico. Nota-se que esses problemas são frutos de uma regionalidade muito forte, assim como de uma potencial ferramenta para acentuar a desigualdade social
É necessário, primordialmente, destacar essa regionalidade muito forte presente no Brasil. A extensão territorial que o país possui permite que, embora a língua oficial seja português, o seu modo de falar e como é falado por todo esse terreno seja diferente de região para região. Essa mudança de fala entre as regiões está evidente no modelo de Darcy Ribeiro, de “múltiplos brasis”, o qual diz que embora uma Nação só, condições diferentes de cultura e povoamento dentro do território permite que o Brasil seja plural nos costumes e nas falas. Contudo, embasados nesse ideal de multiplicidade, percebe-se como consequência indivíduos de determinada localidade vêem seu local como superior, rebaixando e promovendo preconceito linguístico, pois julga que existe apenas um jeito correto de falar, que é o dele.
Paralelo a esse regionalismo forte, destaca-se a potencial ferramenta que a língua pode ser para acentuar desigualdades sociais. Dirigidos por uma ideia eugênica, que diz que uma “raça” é superior à outra, indivíduos que dominam a norma culta se veem como superiores aos outros nativos do País que possuem uma linguagem coloquial. A ascensão de práticas como a aversão de regiões mais ricas do Brasil a falas de regiões mais pobres exemplificam o preconceito linguístico. Esse tipo de prática retarda o combate ao preconceito linguístico, pois traz como consequência uma acentuação da desigualdade social, visto que os falantes da língua culta são dotados de maior poder aquisitivo e social, assim como uma maior dificuldade de sociabilidade daqueles que falam informalmente.
Em suma, consta-se a necessidade de abraçar todos os tipos de linguagem e perceber que a língua portuguesa está sempre em constante evolução e adaptação. Cabe ao Ministério da Educação (MEC), em união com o Ministério do Desenvolvimento Social, apresentar projetos para que instituições de ensinos apresentem as variantes linguísticas, as ensinem e as normalizem no cotidiano dos estudantes. Essa apresentação pode se dar via plataformas digitais e áreas de ensino, que, em conjunto, devem normalizar a regionalidade da língua, visando, a médio prazo, que o preconceito enraizado acerca da língua diminua gradativamente.