Preconceito Linguístico

Enviada em 07/09/2020

A personagem Chico Bento, da famosa história em quadrinho “Turma da Mônica”, traz a variação linguística para os diálogos com expressões diferentes e caracterizadas como caipiras, contudo, Chico não sofre preconceito linguístico dentro da turma. Fora da literatura, lamentavelmente, a realidade no Brasil mostra a existência de discriminação baseada na fala de outrem. Nessa apreensão, analisa-se que tal dilema ocorre, principalmente, devido ás graves desigualdades sociais do país, bem como ao ensino retrógrado de muitas instituições de educação.

Convém ressaltar, a princípio, as discrepâncias sociais e econômicas como fontes para a origem do preconceito linguístico. Nesse sentido, o Brasil possui vastas variações culturais, econômicas e raciais, parte das quais sofreram demonstrações de intolerância ao longo da história. Certamente, a fala faz parte da identidade sociocultura do locutor, a qual está sujeita a depreciação social quando oriunda de uma minoria - conforme o ilustre linguista Macos Bagno. Dessa forma, a língua é usada como mais um instrumento para a discriminação de pessoas.

Outrossim, vale salientar o papel das instituições de ensino dentro dessa situação. Sobre essas perspectiva, o português é ensinado em muitas escolar usando instrumentos anacrônicos, tais como apostilar antigas com pedagogia eurocêntrica focada apenas na língua culta, em detrimento das variedades linguísticas brasileiros - conforme matéria divulgada no Jornal da Cultura. Tal contexto é repetido em cursos de graduação de letras, formando professores mal preparados para lidar com as variantes falas dos discentes. Então, a escola passa a ser um lugar intolerante, por não reconhecer o contexto das expressões do alunos, contrariando os preceitos de uma educação libertadora trazidos por Paulo Freire.

Em suma, faz-se inadiável a tomada de medidas atenuantes aos impasse abordados. Urge, pois, ao Ministério da Educação (MEC) criar uma política educacional contra os preconceitos linguísticos vigentes no país. Tal projeto deve ser materializado em dois eixos de ação: o primeiro visará a população em geral, por meio de propagandas televisivas e na internet elucidando as pessoas sobre o preconceito linguístico e como não pratica-lo; o segundo, mediante alterações nas Leis de Diretrizes e Bases dos ensinos superior e fundamental, a fim de tornar obrigatório o estudo das diferentes formas de se expressar dos brasileiros. Destarte, a língua falada e escrita passará a ser, gradualmente, tratada por todos os cidadãos como um meio homogeino