Preconceito Linguístico

Enviada em 02/09/2020

No Brasil Contemporâneo, o evidente crescimento do preconceito linguístico colabora significativamente para a acentuação da exclusão social e da segregação. Isso se deve, sobretudo, ao padrão imposto pela elite intelectual, além da associação da maneira de fala com outros tipos de preconceito, como o regional e o socioeconômico, por exemplo. Logo, há necessidade de ações do  Ministério da Educação, assim como das mídias de informação, visando ao enfrentamento do problema.

A princípio, é preciso entender que a gramática normativa leva em consideração que a forma culta é a mais correta. Contudo, assim como Drummond de Andrade aborda em seu poema " Aula de português “, a língua falada difere da língua escrita, pelo fato de sofrer variações, não havendo apenas uma forma correta de transmissão da mensagem. Dessa forma, o que foi imposto pela elite intelectual do país acerca do fato de a norma padrão ser a única aceitável, é incoerente e insustentável, sendo uma forma de opressão à sociedade, já que o Brasil possui uma grande extensão territorial e a variação na forma de fala varia em grande escala.

Nesse contexto, é necessário levar em consideração que o preconceito linguístico está associado à outras formas de prejulgamento. Por consequência, há uma maior exclusão social, já que ao levar com conta apenas uma forma de falar como a correta, as minorias são prejudicadas, por muitas vezes não terem oportunidade de ingressar na escola, onde a norma culta é ensinada, assim como as formas de variação da língua. Como exemplo dessa insustentável situação, está um médico de São Paulo, afastado do hospital por divulgar uma foto nas redes sociais fazendo piada da maneira de falar de um paciente. Tal situação só demonstra o quanto a imposição de uma forma de falar  é prejudicial e contribui para o fortalecimento das mais diversas formas de preconceito.

Portanto, para que os problemas relacionados ao preconceito linguístico sejam solucionados, assim como para que tenha uma maior tolerância, é necessário a execução de ações. Assim, cabe ao Ministério da Educação introduzir materiais que mostrem a importância da adequação linguística, nas escolas, por meio de palestras e debates realizadas por linguistas especialistas no assunto, com a participação de pais e alunos. Além disso, cabe às mídias e aos meios de comunicação, abordar o tema de forma mais aprofundada, assim como as consequências desse tipo de preconceito, através de propagandas e maior espaço em programas de entrevistas. Logo, para que o preconceito seja amenizado  e as pessoas possam ter maior conhecimento e informação, essas medidas devem ser colocadas em prática.