Preconceito Linguístico
Enviada em 03/09/2020
Consoante o físico teórico Albert Einstein, seria mais fácil desintegrar um átomo do que o preconceito. A partir dessa visão que, mesmo sido enunciada na década passada, se faz presente na realidade social brasileira, torna-se necessária a discussão sobre a existência do preconceito linguístico na contemporaneidade, que vem sendo um grande obstáculo para o país. Essa problemática ocorre devido, entre vários fatores, a valorização da língua culta e, por consequência, a exclusão social das minorias linguísticas. Portanto, discutir sobre o tema apresentado e suas consequências na sociedade brasileira destaca-se como fundamental.
Em primeira instância, é necessário considerar que a construção escolar, aliada a uma influência da elite brasileira, fizeram da imposição da língua culta, uma intrínseca barreira cultural. Em meio a isso, uma analogia ao filósofo francês Michel Foucault faz-se possível, pois o pensador, ao desenvolver a ideia das relações de poder, ele demonstra como as classes dominantes podem coagir, disciplinar e controlar a sociedade, usando mecanismos de influências. Nessa lógica, a elite brasileira, com o intuito de homogeneizar a língua escrita ou falada, induz, principalmente, as escolas, para que elas adotem como exclusivamente correta a linguagem culta, desvalorizando, portanto, todas as outras formas de comunicação, inclusive as regionais, tornando a problemática mais desafiadora, em tempos hodiernos.
Em segunda instância, é importante observar os reflexos da imposição linguística no país, destacando a exclusão social. Embasado nessa ideia, é possível analisar as consequências dessa problemática na sociedade, como a desvalorização das expressões regionais no mercado de trabalho, que possuem seus próprios jargões, fazendo uma seleção, e posteriormente, uma exclusão social entre os empregados. Diante do exposto, cabe mencionar a obra “O Ensaio sobre a Cegueira”, do escritor José Saramago, que evidencia a responsabilidade do ser humano de enxergar um problema quando o mundo se torna cego. Nessa analogia, percebe-se essa “cegueira” da população quanto à situação exposta, comprovado pela inexistência de medidas que valorizem a cultura e a linguagem dos empregados, dificultando, portanto, que esse entrave seja amenizado.
Em síntese, medidas exequíveis são necessárias para conterem os obstáculos apresentados. Para tanto, é mister que o Governo, em parceria ao Ministério da Educação, invista na criação de trabalhos mais intensos e reflexivos sobre o conteúdo de variação linguística, nas escolas públicas e privadas, por meio de debates nas aulas de língua portuguesa sobre o problema. Essa ação possui o fito de incentivar o pensamento coletivo sobre a importância do léxico português e, como efeito, a valorização desses fatores no mercado de trabalho futuro, e assim, tornando inexata a citação de Albert Einstein.