Preconceito Linguístico

Enviada em 02/09/2020

No que se refere à intolerância em relação às diferenças linguísticas, é possível afirmar que na revista “turma da Mônica”, de Maurício de Sousa, os personagens Chico Bento e Cebolinha, possuem diferenças na fala, sendo as causas regional e dislalia. No Brasil hodierno, fielmente ao quadrinho, a língua está em transformação, porém o preconceito persiste. Assim, é válido enfatizar não só a língua usada como distinção social, como também utilizada em diferentes contextos.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que o Brasil possui dimensões continentais e embora todos falem a mesma língua, ela apresenta variações regionais. Diante disso, na obra “vidas secas”, de Graciliano Ramos, é descrita a realidade de uma família que foge da seca. O personagem Fabiano tem dificuldades de se comunicar segundo a norma padrão, se sentindo limitado e comparado a um animal. Dessa forma, assim como na obra de 1938, ainda hoje esse tipo de discriminação atinge grupos de menor prestígio social, entretanto todas as variações linguísticas devem ser aceitas e consideradas um valor cultural e não um problema.

Em segundo plano, é válido ressaltar também que, desde a colonização do Brasil, os jesuítas queriam impor sua cultura, religião e educação aos índios. Desse modo, segundo Michel Focault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Dessa maneira, a linguagem apresenta, particularidades no contexto regional, etário, social e histórico, comprovando que está em constante transformação, porém não se deve desconsiderar a gramática normativa, pois ele serve de base.

Diante dos fatos supracitados, é indubitável que a sociedade necessita rever e mitigar padrões enraizados de brasileiros que discriminam outros pelo modo de falar. Então, compete às instituições de ensino incentivar a desconstrução do preconceito no estereótipo de fala, mediante o incentivo da leitura de obras com diferentes variações da língua portuguesa, a fim de romper com o preconceito. Concomitantemente, cabe à mídia, em parceria com o MEC, conscientização por meio de propagandas publicitárias que valorizem as diferenças linguísticas, a fim de informar a população sobre a mutabilidade da língua. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em uma nação com desenvolvimento social.