Preconceito Linguístico
Enviada em 02/09/2020
“Conhecimento é poder”, partindo dessa máxima proposta pelo filósofo Francis Bacon, é licito postular que a sociedade sofre com o fenômeno da meritocracia desde os seus primórdios. Fato que configura diversos efeitos na população, como: a estratificação social, a ridicularização daqueles que são marginalizados socialmente, e sobretudo, o crescimento do pensamento etnocêntrico.
Primordialmente, o assédio linguístico é desarmonioso com a história do idioma lusitano. Isso se deve ao fato de que o português advém do latim vulgar. Desse modo, negar as variações linguísticas torna-se uma tentativa frustrada e purista de ignorar que a língua é viva e passível de transformações, tal qual seus falantes. Nesse sentido, as variantes possuem características singulares, patrimônio cultural de determinado grupo, logo, discriminá-las caracteriza etnocentrismo e falta de conhecimento sobre a história de um povo.
Somado a isso, estabelece-se uma linha muito tênue entre a hierarquização social e o preconceito para com a população menos escolarizada. Uma vez que a educação de qualidade é dada àqueles que possuem alto poder de compra, desfavorecendo, assim, a população detentora de poucos recursos financeiros que tem como única alternativa a educação oferecida pelo Estado e esta, por vezes, não atende as expectativas sociais. Ao rememorar, assim, o Darwinismo social – teoria proposta pelo sociólogo Herbert Spencer – que propunha uma evolução linear e sobreposição de raças, assemelhando-se, portanto, as relações interpessoais daqueles que tiveram acesso pleno a Gramática normativa e àqueles que tiveram acesso pífio ou inexistente, ao caracterizar, dessa maneira, a segregação.
Portanto, infere-se, que o preconceito linguístico é uma herança forte deixada pelos colonizadores. Sob esse prisma, é necessário que o Ministério da Educação em consonância com a mídia promova a descentralização da variante metropolitana em horário nobre ou em situações importantes de repercussão nacional, como por exemplo, os telejornais. Contemplando, dessa forma, a diversidade e a representatividade de todos os estados brasileiros, para que deste modo o Brasil torne-se poliglota em sua própria língua.