Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
A primeira geração modernista no Brasil é marcada por um contexto de denúncia da condição social dos cidadão marginalizados, em que os escritores dão voz a esses indivíduos através da linguagem. Hoje, quase 100 anos depois, o cenário ainda é de segregação sociocultural e de preconceito linguístico, visto que a língua sempre foi uma ferramenta de exclusão dessas pessoas. Nesse contexto, analisar as causas dessa problemática é de fundamental importância na busca de soluções para tal fato social na prática.
Albert Einstein afirmou que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito enraizado. O cenário de preconceito linguístico no Brasil corrobora a afirmação do cientista, visto que que a sociedade faz uso de um problema social para humilhar e excluir cidadãos que não tiveram os mesmos privilégios e oportunidades. Prova disso é uma reportagem da globo que denuncia o fato de um médico debochar do paciente que disse “peleumonia”. Nesse sentido, percebe-se que a língua tem se tornado uma ferramente de opressão de pessoas mais humildes.
Ademais, é necessário pontuar que, a falta de abordagem do assunto nas escolas contribui para o aumento do preconceito linguístico. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, o fato social é a maneira coletiva de um indivíduo agir e pensar. Nesse sentido, se as crianças forem ensinadas nas escolas sobre preconceito linguístico e variações da língua, essas se tornarão adultos mais empáticos, visto que o ambiente em que foram educadas proporcionou uma forma empática de enxergar as pessoas e o mundo. Desse modo, não utilizarão a linguagem para subjugar nenhum indivíduo.
Infere-se, portanto, que o preconceito linguístico é resultado de uma falha da sociedade e do Estado. Logo, o presidente da república, juntamente com o poder legislativo, devem criar e aprovar uma lei que criminalize o preconceito linguístico, a fim de diminuir a humilhação pública de pessoas que não tiveram oportunidade de aprender a norma padrão da língua. Além disso, o MEC, juntamente com as escolas municipais e estaduais, devem acrescentar na grade curricular uma disciplina sobre variação linguística, a fim de que as crianças aprendam que a língua não é homogênea em todas as regiões e culturas. Somente assim o Brasil será um país livre de preconceito linguístico.