Preconceito Linguístico

Enviada em 16/09/2020

Não raro, acontecimentos semelhantes ao do médico Guilherme, de Serra Negra, que em 2016 zombou do modo de falar de seu paciente, têm fomentado debates na sociedade acerca do preconceito linguístico. Nesse viés, nota-se que se trata de uma situação que incide contemporaneamente e urge por melhorias. Tendo isso em vista, não só a influência da mídia, como também a noção limitada de língua e linguagem endossam a importância de se discutir a questão.

Em primeira análise, é válido salientar que a mídia influencia a sociedade diminuindo algumas variantes linguísticas, como aos mais pobres. Nessa perspectiva, o filósofo Michel Foucault mostra que a língua é um mecanismo de dominação. De maneira análoga, tal conjuntura evidencia que o preconceito linguístico também revela uma discriminação social. Como conseguinte, o acesso à um bom emprego é dificultado, gerando uma marginalização a essas pessoas. Prova disso é uma história denominada Preconceito Linguístico na Balada feita pela revista Veja, na qual é demostrado que um dos pilares da divisão de classes no Brasil é o preconceito linguístico.

Em segunda análise, é importante apontar que grande parte da sociedade apresenta uma noção limitada de língua e linguagem. Nesse âmbito, o especialista Marcos Bagno, em seu livro “Preconceito linguístico: o que é e como se faz?”, afirma que não existe uma forma correta ou errada de falar, apenas pode-se analisar se está adequada ou não ao contexto. Sob tal ótica, essa realidade aponta que há uma falha na educação, pois, na maioria das escolas, a gramática é dada de forma conteudista e não de maneira contextualizada, somado ao fato de que a matéria de variantes linguísticas só é dado no último ano do ensino médio. Dessa forma, o conhecimento não é bem adquirido e a maioria das pessoas acredita que só existe uma maneira correta de falar. Comprovado pelos vários casos de internautas, denunciados por várias redes sociais, como o Facebook, comentando sobre o jeito de alguém falar ser errado.

Por tudo isso, é notório que medidas são necessárias para solucionar tal problemática. Para tanto, é imperioso que o governo, por meio do dinheiro arrecadado por impostos, faça propagandas comentando sobre a importância e a riqueza do Brasil ter muitas variantes linguísticas, com o fito de diminuir o número de casos de preconceito linguístico. Além disso, é interessante que os integrantes do Ministério da Educação, por meio de reuniões, avaliem a possibilidade de dar a gramática de forma contextualizada desde o ensino fundamental, tendo como objetivo romper a ideia de que só existe uma forma correta de falar. Só assim, os problemas serão mitigados, levando a uma sociedade mais justa e igualitária.