Preconceito Linguístico
Enviada em 09/09/2020
O mito da caverna, alegoria escrita por Platão, explica a evolução do processo do conhecimento. Segundo ele, os seres humanos se encontram prisioneiros de uma caverna, em que estão habituados somente a ter a ilusão do que veem como se fosse a verdadeira realidade. De maneira análoga ao presente, a questão do preconceito linguístico pode ser bem representado pelo mito de Platão, visto que é um problema que vive ás sombras da sociedade, em razão ao desrespeito á diversidade linguística e ao elitismo.
Constata-se a princípio, que desde a formação das primeiras civilizações, a língua é um fator determinante para formação da identidade de um povo. No Brasil, isso é facilmente observado pela forma que a língua portuguesa é rica em variações linguísticas que podem falar muito sobre a história e a cultura de cada estado. Porém, essas diferenças orais da nossa língua dificilmente são respeitadas, e por muito tempo foram ignoradas na literatura, sendo consideradas inadequadas em razão á norma culta que padroniza o modo de escrita . Todavia, a fala popular não pode ser considerada errada, pois é um fator cultural marcante da comunicação de quem o vivencia e que pode ser usado em produções artísticas como acontece por exemplo no Baião e no Cordel nordestino.
Ademais, é notável que existe um grande preconceito contra as várias formas a qual os brasileiros se expressam oralmente, isso é demonstrado na obra “Vida Secas” por Graciliano Ramos, onde seu personagem Fabiano é frequentemente enganado por seu patrão, e incapaz de contestar devido a falta de familiaridade com a forma padrão da língua. De maneira análoga com a realidade, isso é resultado de uma cultura elitista a qual sempre protagoniza a classe com maior poder de acesso a educação e consumo. Logo, a linguagem como um fenômeno plural e variante, onde não é possível discernir exatamente o certo e o errado, não é devidamente aceito, o que sustenta estereótipos que reforçam a violência contra minorias sociais e dificultam a mobilidade social.
Isto posto, é inegável a necessidade de medidas para resolução do cenário. Sendo assim, o Ministério da Educação, por meio de escolas e universidades, devem criar projetos sócio-educativos como oficinas, palestras e debates para promover a conscientização social sobre a importância de conhecer e respeitar as variantes culturais da língua portuguesa no Brasil. Tais projetos devem também buscar meios de maior alcance, como uso de transmissões ao vivo na internet, para aumentar a capacidade de discussão da temática e para que o maior número de pessoas possível tenha conhecimento do assunto. Espera-se dessa forma, que o preconceito linguístico seja minimizado, deixando assim de ser algo que reforce a violência contra os menos privilégiados.