Preconceito Linguístico

Enviada em 03/09/2020

Segundo a teoria “habitus’’ trazida pelo sociológo Pierre Bourdier, a sociedade incorpora as estruturas que são impostas a sua realidade e após aderir, a comunidade neutraliza e, por fim, reproduz. Nesse contexto, a língua portuguesa pode atuar de maneira negativa, de modo que, ao adotar uma norma padrão, a sociedade, na sua maioria de alta escolaridade, acaba reproduzindo preconceitos com as diversas variantes linguísticas, tornando-se, assim, uma ferramenta de segregação social. Diante disso, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.

A princípio, segundo os teóricos iluministas, o preconceito relaciona-se ao fato de o indivíduo, investido de poder, impor ao outro suas próprias razões e fundamentos, exercendo, assim, poder simbólico sobre o outro. De fato, tal teoria iluminista associa-se ao conceito de preconceito linguístico, pois sua origem se dá justamente na crença de que a língua equivale exatamente à gramática normativa e às demais variantes são colocados como inferiores perante aqueles que, investidos de uma vida acadêmica, dominam a norma padrão. Desse modo, é necessário desconstruir essa lamentável crença de que só existe um modo de reprodução da língua, para que, assim, posse se superar esse cenário de absurdo preconceito.

Sob outra perspectiva, cabe destacar que, infelizmente, o preconceito linguístico favorece a desigualdade social, visto que a norma padrão é normalmente utilizada por pessoas que têm um alto nível de escolaridade. Logo, a parcela da população que não domina essa norma padrão acaba sofrendo discriminação. De fato, tal atitude perversa relaciona-se ao conceito de banalidade do mal trazida pela socióloga Hanna Arendt: " quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, ela para de ser vista como errada “. Nesse sentido, é necessário entender que há diversas variantes da língua, e uma não deve ser mais prestigiada em relação às demais.

Urge, portanto, que medidas públicas sejam tomadas para mitigar o preconceito linguístico. Dessa forma, o Governo, por intermédio do Ministério da Educação, deve colocar, como matéria obrigatória nas aulas de português, as diversas variantes da língua existentes no Brasil. Somado a isso, é preciso trabalhar com os jovens,na área de humanas, a questão do preconceito e que tal atitude deve ser devidamente repudiada. Isso será efetuado por meio de palestras, debates e até mesmo por peças teatrais. Sendo assim, a variedade linguística existente no Brasil será respeitada para que, assim, esse cenário de preconceito seja superado.