Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
A diversidade cultural é uma das maiores características do Brasil. Infelizmente, o pluralismo cultural brasileiro permite a existência da hierarquização dos valores regionais, principalmente, no tangente aos aspectos linguísticos. Esta realidade acontece, em grande parte, como consequência da construção histórica das diferentes regiões do país e da precariedade do ensino público brasileiro.
Embora todos os brasileiros sejam falantes da Língua Portuguesa, é importante reconhecer as variações linguísticas que são históricas, regionais, sociais e situacionais. É importante, também, enfatizar que a construção desigual da nação brasileira como colônia de exploração da coroa portuguesa, somado as teorias do darwinismo social, reflete na atual dificuldade de reconhecer os valores próprios da nossa cultura. Isto quer dizer que as capitais brasileiras, por serem mais desenvolvidas que as áreas rurais e, assim, se aproximarem da concepção europeia de evolução, conseguem desenvolver uma dominação cultural linguística. Por exemplo, no início do século XX, o escritor Monteiro Lobato reforça o estereótipo do caipira paulista, Jeca Tatu, como: atrasado, pobre e sem acesso à educação. Desse modo, o preconceito linguístico está diretamente associado a concepção de localização geográfica e precariedade financeira.
Vale ressaltar também que a norma culta da linguagem é uma entre as diversas formas de expressão. No entanto, as escolas têm um aprofundamento mínimo em estudos sobre essas diversidades. Além disso, a educação é um problema sério no Brasil - nem todo mundo tem acesso ao correto uso das normas gramaticais. Segundo o censo 2010, um entre cinco brasileiros são analfabetos funcionais; ao se tratar do Nordeste, estes dados superam 30%. Ou seja, quando programas televisivos exploram, com fins humorísticos, a fala coloquial própria à determinada região brasileira, estão reforçando a exclusão e a desigualdade histórica inerente a este lugar.
Além de entender estes fatores como agravantes do preconceito linguístico, infere-se, portanto, a necessidade de medidas que diminuam as desigualdades educacionais historicamente construídas no Brasil. Por isso, é imprescindível reformas no sistema educacional, mediadas pelo Ministério da Educação, com intuito de uma abordagem mais aprofundada sobre o tema variedades linguísticas. Associado a isso, o Ministério da Cultura e a mídia devem combater a estereotipagem dos personagens com base na maneira de falar e investir em campanhas que ajudem a desconstruir o preconceito linguístico.