Preconceito Linguístico

Enviada em 07/09/2020

É notório que, hodiernamente, o preconceito linguístico gera sérias complicações a sociedade brasileira. Por conseguinte, constata-se os obstáculos dessa intolerância, logo, evidencia-se a necessidade do estudo das diversas variantes linguísticas nas escolas com o intuito de amenizar essa problemática. Em suma, é imperioso salientar o agravamento das desigualdades sociais e a descriminação perpetuada pelos meios de comunicação.

A priori, vale ressaltar que o preconceito linguístico agrava as desigualdades sociais.Tal situação é resultado de uma supervalorização da norma culta -à qual poucos tem acesso-, que é a variante tida como correta. Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, o enaltecimento da linguagem acadêmica rebuscada e o não reconhecimento da linguagem informal como legítima, implica em um contexto de violência simbólica. Além disso, o preconceito linguístico é uma forma cruel de exclusão social, a qual pode impedir o individuo de exercer sua cidadania plena e por isso deve ser combatido.

Outrossim, a situação de descriminação linguística é favorecida, mesmo que de forma não intencional, por produtos oferecidos pela mídia. Isso se dá devido à veiculação, principalmente pela TV aberta, em produções as quais, em sua maioria, valorizam apenas uma vertente do português. Esse cenário pode ser observado nas novelas da Rede Globo, aonde as tramas são ambientadas, majoritariamente, nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Com isso, as variantes linguísticas desses locais são favorecidas e impostas como modelos a serem seguidos. Desse modo, há uma perpetuação da violência nos meios culturais.

Ante o exposto, ficam evidentes os malefícios relativos ao preconceito linguístico. Por isso, compete ao Ministério da educação, em conjunto com a Secretária de Educação de cada estado, realizar alterações no currículo da disciplina de Língua Portuguesa, com planejamentos voltados para o estudo mais aprofundado da variabilidade linguística, a fim de incitar, no aluno, uma competência comunicativa e não descriminatória.Ademais, concerne à Agência Nacional de Cinema (ANCINE) investir em produções as quais  as diversas variações linguísticas estejam em evidencia, mediante distribuição feita em emissoras de TV aberta, com o intuito de apresentar as diversidades nos modos de falar do brasileiro. Dessa feita, obter-se-á uma redução na descriminação no que tange às plurais formas de se falar.