Preconceito Linguístico
Enviada em 03/09/2020
Nos Gibis da Turma da Mônica, o autor Maurício de Souza retrata Chico Bento, o personagem que sofre preconceito pelo seu vocabulário. Entretanto, a discriminação linguística não só repercute nas histórias em quadrinhos, uma vez que essa também é a realidade social do Brasil, devido à elitização gramatical que, por consequência, segrega indivíduos que não obtém os recursos gramaticais considerados o padrão. Assim, medidas são necessárias para atenuar esses impasses.
A princípio, é preciso analisar a elitização gramatical como causa para o preconceito linguístico atual. O linguista Carlos Alberto Faraco, analisou como as condições sociais, de cada momento histórico, ajudaram a consolidar os preconceitos de linguagem, já que a elite socioeconômica e letrada, a que se foram agregando às classes médias, buscou demarcar sua distinção da população escravizada ou pobre. Dessa forma, compreende-se que as diferenças de valores gramaticais, oriunda da miscigenação de povos, restringiu-se àqueles que possuíam direitos a bens de escolaridade, distanciando os demais e propagando o preconceito para os quais estariam fora das normas gramaticais impostas.
Por conseguinte, a segregação vivenciada pelas camadas populares discriminadas colabora para vários desafios sociais. Isso porque, os aspectos acadêmicos são muito valorizados em detrimento da cultura popular, logo os indivíduos que não possuem tal conhecimento sobre as normas da língua padrão são separados. Esse fato é comprovado pelo sociólogo Pierre Bourdieu, o qual introduziu um conceito importante sobre a ``violência simbólica´´ ser a imposição de valores e ideias tidas como naturais por organismos sociais. Diante disso, os indivíduos que possuem variedades linguísticas sentem dificuldades, por exemplo, para iniciar no mercado de trabalho, devido aversão por parte dos mais intelectuais.
Portanto, são indispensáveis que os efeitos sociais negativos, resultante do preconceito linguístico, sejam minimizados. Logo, cabe ao Ministério da Educação promover campanhas nas escolas, por meio de palestras e debates, com participação de educadores linguistas e psicólogos, que visem orientar sobre as diversas línguas gramaticais existentes na cultura do Brasil. Espera-se, com isso, fragmentar a ideia de superioridade gramatical contra aqueles que possuem uma linguagem diferente, como a do personagem Chico Bento, e implementar o respeito à diversidade cultural.