Preconceito Linguístico

Enviada em 03/09/2020

Na obra ‘’Preconceito Linguístico: o que é, como se faz.’’, o autor e linguista Marcos Bagno aponta a construção de um padrão imposto pela elite intelectual na normatização da língua. Tal constatação constrói seu fundamento ao trazer à tona a intolerância para com outras formas de falar no Brasil, uma vez que quando não há adequação com a norma culta, gera exclusão. Diante disso, é possível preconizar que tal problemática é complexa e delicada devido ao uso da língua como forma de segregação, bem como devido à falta de reconhecimento das variações.

Convém analisar, em primeiro plano, a marginalização constituindo-se como um obstáculo determinante do problema. Conforme a Teoria da Eugenia, cunhada no século XIX e utilizada como base do Nazismo, o controle social era realizado por meio da seleção dos melhores aspectos. De acordo com essa perspectiva, portanto, haveria seres humanos superiores, a depender das suas características. No contexto brasileiro atual, a noção eugênica de superioridade pode ser percebida no tocante ao preconceito linguístico, cuja base é uma forte discriminação imposta pelas classes dominantes, subtraindo do individuo a sua pluralidade e a manifestação da sua essência, como também, corroborando para a perpetuação desse entrave que se constitui como uma afronta direta à diversidade linguística do Brasil.

Ademais, é válido acrescentar a lacuna existente na ausência de notabilidade das variações que a língua possui. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, certos saberes são mais valorizados socialmente em detrimento de outros. Como decorrente, mediante à aplicabilidade de tal prerrogativa, nota-se a construção de uma grave barreira frente ao reconhecimento da importância da regionalização e da sua grande diversidade. Somando-se a isso, a relevância da língua como instrumento de poder, para dar voz e facilitar a comunicação de acordo com a vivência do indivíduo.

Concernente a tais embates, torna-se imprescindível a resolução desse impasse. Assim, urge que o Ministério da Educação em parceria com as Escolas promovam uma abordagem do preconceito linguístico mais abrangente, realista e efetiva, a fim de quebrar ciclos de opressão e reconhecer a riqueza cultural do país. Tal ação pode ocorrer por meio do incentivo à leitura e ao conhecimento de obras regionais que explorem construtivamente o tema supracitado, sendo interessante a realização de projetos interdisciplinares dinâmicos e artísticos realizados semestralmente, de um modo lúdico, atrativo e que desperte a curiosidade e o respeito para com a tematica.