Preconceito Linguístico

Enviada em 03/09/2020

Desde a colonização do território brasileiro, há a perpetuação de inúmeros tipos de preconceitos. Nesse viés, o preconceito linguístico é apenas um deles, ocorrido através da imposição da Língua Portuguesa como legítima e superior, desconsiderando, por exemplo, os valores indígenas e africanos aqui existentes. Sob essa ótica, essa problemática não se restringe apenas ao passado colonial, ela se faz presente no contexto atual da sociedade, fundamentada nas variações. Nessa perspectiva, a norma culta da língua como instrumento de poder legitima a marginalização e o controle social.                       Em primeira análise, é perceptível que a mentalidade de muitos indivíduos reitera que existe apenas uma forma certa de comunicação. Isso é validado, muitas vezes, na escola, haja vista que a instituição não se compromete em esclarecer a existência de variações na fala, além de omitir o ensino de que as formas de expressão são dinâmicas e inerentes à situação comunicativa. Diante disso, como descreveu o linguista Marcos Bagno, o conhecimento da gramática normativa é utilizado como ferramenta de distinção e de dominação pela população culta, visto que as pessoas que detêm o acesso a essas normas exercem uma sobreposição social àqueles que não usufruem desse conhecimento, validando o preconceito linguístico.                                                                                                                               Por conseguinte, tal impasse fundamenta a desigualdade social e a marginalização do grupo sobreposto, mantendo uma antiga estratificação social e de valores. Nesse sentido, os indivíduos das classes abastadas, detentoras do acesso a educação de qualidade, utilizam desse instrumento de poder para justificar as relações constituídas no contexto atual. Tal comportamento pode ser esclarecido pelo sociólogo Pierre Bourdieu, em que enfatiza que o “Capital Cultural” -ativos sociais de uma pessoa, educação, estilo de discurso- são importantes para que seus possuidores ocupem e mantenham posições elevadas na sociedade. Logo, é inegável que a manutenção das disparidades e da subordinação é um resultado, em partes, desse preconceito, empenhado no discurso de capacitação.      Portanto, é evidente que o empecilho do preconceito linguístico no Brasil está atrelado a concepções inerentes ao meio social, produzindo consequências que ferem o direito a uma vida digna. por isso, é preciso que o MEC lance um projeto nas escolas de todo o Brasil nos níveis fundamental e médio. Tal ação tem o intuito de ensinar as variações linguísticas e a importância de reconhecê-las, ao considerar a relação da adequação linguística e a situação comunicativa, por meio da criação da semana da variação linguística, com a organização de professores de português, promovendo apresentações teatrais, declamações de poesias, seminários, entre outros mecanismos que entretêm e conscientiza. Feito isso, o preconceito linguístico não será perpetuado, nem a dominação apontada por Bagno.