Preconceito Linguístico
Enviada em 11/09/2020
Sobre a língua, identidade, marginalização e as gerações futuras
A construção da identidade nacional tem como um dos seus critérios a língua, pois, ela consolida o imaginário de que um povo, com apenas um idioma, formam uma nação. Embora, esse ideia tenha sido construída ao longo do tempo, o Brasil por ser um país de dimensões continentais tem dentro da mesma língua inúmeras variações e diferentes formas de articula-lá. Essas diferenças, são as responsáveis por caracterizar diferentes regiões e comunidades, e por muitas vezes as variantes linguísticas são utilizadas como método de discriminação. Dessa forma, o preconceito linguístico deriva de práticas discriminatórias contra grupos sociais marginalizados, e resulta na exclusão social desses indivíduos.
Primeiramente, a marginalização dos indivíduos pode ocorrer por questões socioeconômicas, e a forma como determinados grupos se comunicam dentro dos espaços comuns gera preconceito de quem não está inserido no contexto. Todavia, é necessário entender que a língua é um mecanismo vivo, assim como afirma o linguista Marcos Bagno, sendo perceptível que a forma de falar, representa especificidades de cada uma das realidades. Para exemplificar,é possível analisar o linguajar utilizado em letras de rap, que surge como forma de relatar as vivencias dos jovens periféricos, além de ser um dispositivo de denúncia social, evidenciando, infelizmente, maiores abismos sociais e o preconceito linguístico favorece esse cenário porque exclui quem não se adequa a linguagem normativa.
Ademais, é válido analisar que a exclusão não atinge apenas a esfera social, mas também a econômica, visto que, tira dos indivíduos melhores oportunidades de emprego e de qualidade de vida. Além disso, o preconceito ligado a língua fomenta o apagamento de alguns grupos por incitar a xenofobia, utilizando-se da falácia de que pessoas de estados mais ricos são mais qualificados do que as provenientes de outras localidades. A saber, essa problemática fica evidente na teledramaturgia brasileira quando retratam indivíduos das regiões norte e nordeste de maneira caricata e homogênea, apresentando apenas um sotaque e desconsiderando as peculiaridades locais, não representando a perspectiva real e acaba por gerar a exclusão social dessas pessoas.
Em suma, é preciso que o Ministério da Educação em parceira com as mídias sociais, criem campanhas nas redes de comunicação explicitando o valor das variantes linguísticas por meio de entrevistas e debates sobre o tema. De certo, tal abordagem teria como finalidade alterar as perspectivas da sociedade, aumentando o respeito as outras culturas regionais e diminuindo a exclusão social, assim, favorecendo o avanço e a melhoria para as próximas gerações.