Preconceito Linguístico
Enviada em 15/09/2020
Em 2016, o médico Guilherme Capel Pasqua foi afastado do hospital onde trabalhava após caçoar do modo que um paciente falava, por este não pronunciar as palavras de acordo com a Norma Culta da Língua Portuguesa. Tal situação retrata um problema grave que acontece por todo o território brasileiro, o preconceito linguístico, que consiste em uma pessoa discriminar e humilhar outra por considerar que esta usa uma variação linguística inferior ou incorreta. Assim, para solucionar esse problema, é necessário compreender os aspectos sociais ligados a ele.
Nesse sentido, é válido ressaltar que a linguagem pode ser utilizada para que as classes mais altas e privilegiadas da sociedade tenham autoridade sobre as menos favorecidas. Na obra “Microfísica do Poder”, o filósofo Michel Foucault fala sobre diferentes formas de se exercer poder sobre uma pessoa ou um povo, e a língua está presente entre essas formas. Diante disso, por ter oportunidades e mais acesso à escolaridade, as classes privilegiadas tem mais domínio da Norma Culta, e isso faz com que se sintam superiores àqueles que se comunicam utilizando gírias e pronunciando palavras de forma diferente, muitas vezes os humilhando e os oprimindo.
Ademais, também é importante pontuar que para ter uma comunicação efetiva, nem sempre se deve utilizar a forma descrita nos livros de gramática. De acordo com o linguista brasileiro Marcos Bagno, não existe uma forma correta ou errada de se falar, mas sim uma forma mais ou menos adequada de acordo com a situação em que o falante se encontra. Desse modo, em uma entrevista de emprego, é mais adequado que se use uma linguagem formal, enquanto em uma reunião com os amigos o mais adequado é a linguagem informal.
Indubitavelmente, portanto, medidas se fazem necessárias para resolver essa problemática. Cabe ao Ministério da Educação implantar nas escolas, principalmente na disciplina de Língua Portuguesa, a obrigatoriedade de se discutir os danos do preconceito linguístico e a importância das variações que a língua sofre, para que os alunos entendam que não se deve discriminar o próximo pela maneira que esse se comunica. Dessa forma, situações como a do médico Guilherme e seu paciente serão evitadas.