Preconceito Linguístico
Enviada em 03/09/2020
O Brasil, enquanto país continental, apresenta em seu território diversidades em todos os âmbitos culturais, destacando-se o linguístico de forma que sua heterogeneidade é usada como marca classificatória e distintiva entre os povos brasileiros. Nesse sentido, deve destacar o preconceito linguístico como grande adversidade a ser enfrentada na atualidade, visto seu embasamento na formação histórica da língua e, ainda, na estrutura socioeconômica característica do País.
Na perspectiva abordada, nota-se que a construção social da língua portuguesa ampara o preconceito linguística. A língua culta foi, desde o seu nascimento, relacionada ao domínio da elite, dada a exclusividade da educação à essa camada social durante o período colonial do mesmo modo que a oficialização tardia da gramática -ocorrida somente na década de 50- reflete a negligência da língua como propriedade nacional. Esses alicerces construíram, por conseguinte, uma sociedade com uma visão elitista e classificatória do conhecimento linguístico, o que instituiu o preconceito dos mais letrados sobre os menos letrados.
Paralelamente, é importante denotar a influência da estrutura socioeconômica sobre a manutenção desse preconceito. O Brasil está entre os 10 países com maiores índices de desigualdades sociais, refletindo diretamente sobre o acessos a educação e consequente domínio da língua. Diante desse cenário, a parcela social que detém domínio da língua adquire a falsa sensação de superioridade frente a parcela que não o detém, pondo a gramática normativa como promotora de status o que, inevitavelmente, condiciona o preconceito.
Portanto, faz-se necessário atentar para o cenário de preconceito linguístico no Brasil, buscando a sua atenuação. Para isso, o Governo Federal deve investir em políticas assistencialistas no intuito de garantir o direito à educação e reduzir as desigualdades nos que diz respeito ao conhecimento da língua culta, disponibilizando vantagens para que os alunos de baixa renda mantenham-se na escola e conquistem uma formação equivalente aos de outras classes econômicas. Ademais, cabe aos Institutos Educacionais abordar não somente o ensino da língua padrão, mas também das suas variantes e todo o processo de formação da língua, para que, por meio disso, seja possível reconhecer a importância da variedade linguística na sociedade brasileira. Isto posto, será possível reduzir o preconceito linguístico e seus impactos.