Preconceito Linguístico

Enviada em 03/09/2020

A Constituição Federal Brasileira, promulgada em 1988, é a lei de maior hierarquia jurídica nacional e assegura igualitariamente aos cidadãos o direito ao respeito e à liberdade de expressão. No entanto, essa não é a realidade vivenciada hodiernamente no país, visto que é comum o Preconceito Linguístico. Nesse contexto, é válido averiguar de que forma a exclusão das variedades linguísticas e a omissão familiar contribuem com a existência da problemática em questão. Destarte, é imprescindível a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Em primeira análise, percebe-se que o Brasil, apesar de ser extremamente miscigenado está repleto de resistências às variantes linguísticas, a começar pelas escolas que hipervalorizam a linguagem culta. Segundo Voltaire, filósofo da modernidade, a lei essencial para a prática da igualdade é a tolerância. Todavia, grande parte dos ensinamentos das aulas de Língua Portuguesa vilanizam expressões dissonantes da gramática normativa ao classificá-las como “erradas”, ao invés de explorar positivamente o caráter dinâmico da língua. Consecutivamente, os discentes são acostumados a estranhar outras variedades, como a fala interiorana do personagem Chico Bento. Logo, infere-se que o desapreço pela diversidade linguística favorece a continuidade do imbróglio.

Em segunda análise, compreende-se que a ausência da família na participação da vida educacional dos menores também é preocupante. Consoante o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a educação é responsabilidade do Estado, da família e da comunidade brasileira. Entretanto, muitos pais não validam essa obrigação, por acreditarem que somente a escola deve se preocupar com a aprendizagem dos filhos. Por conseguinte, serão formados cidadãos intolerantes e propensos a praticar Bullying, devido a ausência de ensinamentos sobre ética em casa, o que abala a  boa convivência com as diferenças linguísticas do corpo social  e garante a persistência da problemática em destaque.

Portanto, torna-se imperativo que mudanças sejam tomadas para reverter a caoticidade do cenário atual. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação ampliar o destaque das diversificações do português na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de Língua Portuguesa, por meio de adendos nesse documento que tenham a finalidade de valorizar de forma mais equilibrada a língua culta e a coloquial. Além disso, as famílias devem obedecer o ECA e participar do processo de ensino dos filhos, a partir da realização de leituras e atividades que incentivem o respeito às diferenças, para evitar conflitos discriminatórios e qualquer tipo de violência. Assim, a Magna Carta será respeitada e o Preconceito Linguístico será combatido.