Preconceito Linguístico
Enviada em 03/09/2020
“Mina do condomínio”, é uma das músicas do cantor Seu Jorge. Observa-se que o termo “mina” é utilizado como referência à uma menina, sendo muito comum na região Sudeste. Assim como, no Sul as meninas são comumente chamadas de “gurias”. Entretanto, mesmo que o Brasil tenha uma grande variação linguística, o preconceito linguístico existe e tem relação direta com o preconceito de classes sociais.
Primeiramente, nota-se que o Nordeste é a região brasileira que mais sofre o preconceito linguístico, e não é coincidência que seja a região com o maior índice de pobreza do país. Por conseguinte, somente em 2016, a Rede Globo exibiu uma novela com a maioria dos atores nordestinos, chamada “Velho Chico”, e sendo 60% do elenco. Sabe-se que não é a primeira novela que o Nordeste aparece como cenário principal, mas nos outros casos foram chamados atores de outras regionalidades. Porém, quando a situação inverte, dificilmente são dadas as mesmas oportunidades, por exemplo, de intérpretes nordestinos realizarem papéis de sulistas, trazendo a ideia de incapacidade dos mesmos.
Além disso, o sotaque de alguém não classifica o seu talento. Já que, um dos maiores representantes da música popular brasileira, Luiz Gonzaga, era pernambucano e adorava falar em suas composições sobre o sotaque de sua região. Como em, “Lá no meu sertão pros caboclos lê, têm que aprender um outro ABC”, nessa letra fica evidente que ele mostra o quanto muda a fala no lugar em que vive para as demais regiões do país.
Em suma, é preciso que o Ministério da Educação desenvolva programas para que as crianças aprendam, e tenham contato com outras variações linguísticas, dando-se por meio de uma interação virtual ou presencial entre alunos de diversas regionalidades e a criação de livros e desenhos que abordem essa temática. Também, cabe a sociedade conscientização sobre o assunto, dando espaço para todas as regiões crescerem diante das mesmas oportunidades.