Preconceito Linguístico

Enviada em 16/09/2020

Na carta escrita por Pero Vaz de Caminha, ao descrever o ambiente a os povos descobertos pelos portugueses, a surpresa ao se depararem com os indígenas marcou o início da intolerância cultural. Apesar de ser um território já habitado, no processo de colonização baseado na exploração, foi estabelecido o idioma geral do país em formação, o português, desconsiderando a linguagem nativa ao priorizar a europeia. De maneira análoga, hodiernamente, a mitigação do preconceito linguístico enraizado ainda é um desafio diário a ser combatido pela sociedade brasileira.

Primordialmente, de acordo com o sociólogo Max Weber, a ação social é a motivação que o indivíduo tem para agir de determinada forma, classificadas em quatro tipos ideais, no caso da ação tradicional, ele é guiado pelos seus hábitos, costumes e crenças. Desse modo, no convívio social, a imposição que algumas pessoas colocam ao definir a sua expressão cultural como a mais adequada, configura um cenário de preconceitos na forma como outros indivíduos se comportam diante das suas próprias realidades, o que explicita a intolerância. Não obstante, é indubitável como as variações linguísticas estão sujeitas as mudanças históricas no decorrer do tempo, os acordos ortográficos estão em constante alteração e adaptação às exigências contemporâneas, porém, o preconceito permanece.

Nesse contexto, segundo o filósofo Confúcio, “a cultura está acima da diferença da condição social”, logo, ao comparar com a sociedade, é inegável como o preconceito relacionado a renda afeta a harmonia entre as diferenças. De fato, pessoas com baixa qualidade e expectativa de vida possuem menores níveis de escolaridade, algo que, de certa forma, cria um estilo de oralidade característico em determinadas regiões. Em contrapartida, apesar da maior convivência com a educação escolar, aqueles que possuem melhores condições de educação, são os que cultuam com o preconceito linguístico, ao considerar a norma culta como um padrão a ser seguido em todos os meios sociais.

Em causa, é de fundamental importância a participação do Ministério da Educação, em parceria com o corpo docente escolar, no qual professores da área de linguagens, de redes públicas e privadas, por meio do projeto “Tolera-me”, abordarão a temática do preconceito linguístico no âmbito acadêmico e profissional, ao esclarecer as variações da língua e as diversas maneiras para ser expressada e demonstrar como o desrespeito influencia a aceitação pessoal de muitos indivíduos. Ademais, faz-se necessária a elaboração de uma lei de advertência, por parte do Poder Legislativo, que cobrará uma multa de reparo pelo insulto a cultura alheia, com o intuito de penalizar pessoas que praticam o discurso de ódio e menosprezam outras que não se encaixam na mesma realidade social, para assim, evitar o surgimento de novas histórias intolerantes iguais as enfrentadas pelos povos indígenas.