Preconceito Linguístico
Enviada em 04/09/2020
No livro Urupês de Monteiro Lobato, conta história de Jeca Tatu um trabalhador rural que simboliza o caipira brasileiro, na qual sofre descaso do poder público na região, em relação ao atraso econômico e educacional. Fora da ficção, o personagem reflete a contemporaneidade pelo certo desprezo com essa cultura, ocasionando o preconceito linguístico, sendo uma pauta que precisa ser discutida, já que constrange o indivíduo menos escolarizado. Isso acontece por dois motivos: a valorização de saberes e o papel da escola.
Em primeira análise, no livro Capital Cultural do sociólogo Pierre Bourdieu a cultura se transforma em uma espécie de moeda em que as classes dominantes utilizam para acentuar as diferenças, tornando um instrumento de dominação. Nesse contexto, percebe-se como a valorização de saberes sobressai sobre outros, diminuindo a igualdade educacional sob aqueles menos favorecidos, uma vez que estes só tem acesso à informação pela instituição educacional. Assim, eleva-se os casos do preconceito linguísticos pela superioridade envolvida.
Em segunda análise, na canção Samba de Arnesto de Adoneran Barbosa, percebe-se que em um convite corriqueiro para um samba, não há relevância na pronúncia ou na escrita, contanto que entenda-se o que foi dito. Nessa linha de raciocínio, observa-se que em muitas escolas não basta entender sobre determinado assunto, tem que demonstrar que saiba sobre este. Assim, nota-se que a instituição educacional tem o papel de levar o conhecimento para todos, porém na prática vê-se desigualdades de saberes em que coexiste com o preconceito linguístico dentro das salas de aula para ao longo da vida. Indubitavelmente, a escola exerce um papel fundamental para diminuir as diferenças na sociedade.
Assim sendo, medidas são necessárias. Urge à Secretaria de Cultura estabelecer estratégias para diminuição do preconceito linguístico por meio de programas em escolas com a pauta da problemática em questão, na qual cabe à profissionais do ensino demonstrar que outras culturas e determinados dialetos não são melhores ou piores, sendo assim contendo valores carregados na fala. Portanto, tomando a providência discutida, o cenário de Jeca Tatu não será mais realidade.