Preconceito Linguístico
Enviada em 04/09/2020
Quando o período literário Quinhentismo começou a se expressar no Brasil, os então descobridores europeus declararam em suas cartas para a coroa portuguesa o quão precárias eram as condições vividas pelos índios no país. E que como se consideravam “bondosos”, os catequizaram para torná-los civilizados. Atualmente, essa superioridade cultural ainda se faz presente em relação aos diferentes dialetos existentes na nação. Seja pelo preconceito linguístico disseminado por setores midiáticos ou pela visão unilateral de fala rebuscada que a escola emprega. Dessa forma, medidas precisam ser tomadas para que a diversidade seja vista como uma rica forma de expressão.
Não é exagero afirmar, em primeiro plano, que o conceito de “Capital Cultural” elaborado pelo sociólogo Pierre Bourdieu se assemelha ao contexto do preconceito linguístico existente na sociedade. Pois a mídia, como formadora de opinião, procura entreter seus telespectadores com os bordões usados por nordestinos, sertanejos, nortistas ou ruralistas. Então, para o sucesso e poder aquisitivo desse setor o modo de falar e se expressar de determinados grupos são vistos como motivo de escárnio para os demais indivíduos da nação. Contudo, é necessário que essa postura seja revista para que a representatividade se torne um meio de enaltecer o grupo ou erradicar o preconceito e menosprezo que existe sobre ele.
Outro fator, que também pode ser considerado nessa perspectiva é que a homogeneização da língua ensinada e valorizada pela escola acentua o menosprezo pela variedade dialética na sociedade. Pois o ensino da gramática em sala de aula sugere a sensação de poder intelectual de quem a aprende e passa a dominar, insinuando a discriminação e menosprezo em relação a quem foge de suas regras. Essa interpretação hierárquica, de acordo com o escritor Marcos Bagno, deve ser bem diferenciada para todos os estudantes, deixando bem claro que não existe fala certa ou errada, mas que existem maneiras adequadas e inadequadas de se dizer em um determinado contexto.
Esse retrato preocupante da realidade brasileira evidencia o quão necessário é fazer com que as pessoas tenham mais respeito e empatia com aqueles que possuem maneiras de falar ou se expressar diferentes das suas. Isso será possível se o Governo, através do Ministério da Educação, colocar na grade curricular das escolas a prioridade diária que os professores de português e literatura tenham em trabalhar na aula a diferenciação da língua considerada culta ou escrita em relação às variantes da língua da falada. Por meio de palestras, teatros, seminários ou filmes que retratem a diversidade brasileira. Assim, os estudantes e futuros adultos saberão que há peculiaridades regionais e que elas enriquecem e colaboram para a miscigenação cultural do país.