Preconceito Linguístico

Enviada em 05/09/2020

Um dos mais nobres legados do homem, é o domínio de uma língua. E graças a ela, e suas particularidades, somos capazes de estudar e entender a história do mundo, as particularidades dos povos antigos e a nossa própria história. Infelizmente, historicamente, vários povos impuseram suas culturas sobre outras, por considerar o diferente inferior e errado.

Com o descobrimento do Brasil, a imposição da língua portuguesa europeia sobre a língua dos indígenas brasileiros, por ser considerada “errada” pelos europeus que aqui chegavam, refletia o eurocentrismo e sentimento de supremacia desses povos sobre outras culturas. Este se tornou um hábito enraizado e muito problemático. O Brasil é um território de grande extensão, e abriga diversas culturas, as quais possuem suas particularidades. Nenhum povo tem o direito de impor sua cultura sobre outro, e nenhuma cultura é melhor que a outra. O país é democrático, e cada um tem o livre direito de escolha.

Atualmente, o preconceito linguístico está ligado, principalmente, a cultura gerada pela ideia de que existe uma língua correta, baseada na gramática normativa, colaborando com a prática e o pensamento de exclusão social, principalmente dos grupos pertencentes a classes sociais desfavorecidas  ou os que migraram de outras regiões apresentando sotaque e maneiras diferentes de falar. A gramática não é a língua, é a tentativa de descrever esta. Tem seu valor e seus méritos, mas não pode ser autoritariamente aplicada a todo o resto da língua.

Fica claro, portanto, que o preconceito linguístico ainda é uma realidade, e é preciso desconstruir esse preconceito. O ministério da educação deve atuar nas escolas incluindo no ensino, a importância das línguas e variações linguísticas, e das diferenças culturais e ensinar que nenhuma cultura é melhor que outra. O governo através da mídia deve trabalhar em propagandas didáticas que expliquem que não existe língua correta, e que as variações linguísticas devem ser respeitadas.