Preconceito Linguístico

Enviada em 04/09/2020

Como ser poliglota da própria língua

A língua é um dos principais instrumentos que sustentam a vida em sociedade, já que é responsável pela comunicação e interação entre os indivíduos. No contexto brasileiro, o país possui um sistema diversificado de variações linguísticas que foram geradas ao longo do tempo. No entanto, embora a língua seja dinâmica, ainda persistem situações discriminatórias frente a outros falantes que não sejam da norma culta padrão. Com isso, é preciso entender que há diversas variantes linguísticas e uma não deveria ser mais prestigiada em relação a outra.

Em Roma, quem não falasse latim era considerado bárbaro, ou seja, não civilizado. Hoje, é evidente que o fato de existir uma variante padrão faz com que as demais sejam desprestigiadas gerando um distanciamento social e o preconceito. Por isso, somente um ensino com alteração da grade curricular, sendo pautado em uma flexibilidade da língua, garantiria uma formação menos excludente.

Além disso, é importante destacar que, apesar de todos os brasileiros serem falantes da língua portuguesa, ela apresenta diversas particularidades no contexto regional, etário e social. Muitos indivíduos possuem suas próprias singularidades ao se expressarem. Por consequência, não raro, esses brasileiros sofrem bullying ou são vítimas de piadas em espaços onde sua forma de falar é distinta.

É evidente, portanto, que a língua é um fator da exclusão social sendo necessário seu reconhecimento. Cabe as escolas efetuarem uma proposta para ensinar aos alunos sobre a diversidade do português. Compete ao cidadão acompanhar essas nuances, pois o idioma é um fator identitário de um povo. Além disso, a mídia deveria parar de estereotipar os personagens de acordo com sua maneira de falar e poderia investir em campanhas que ajudassem a desconstruir o preconceito. Afinal, ser um bom falante é ser poliglota da própria língua.