Preconceito Linguístico

Enviada em 15/09/2020

Com a chegada dos portugueses no Brasil houve a imposição da língua dos colonizadores sobre as tribos indígenas no território, como uma forma de dominação sobre os povos. Na atualidade, o preconceito linguístico se mostra cada vez mais presente nas relações, sendo uma ferramenta comum para a marginalização das classes sociais mais baixas. Tal discriminação tem como causa a falta de informação quanto às diferenças entre a gramática normativa e as variações linguísticas, e como consequência a diminuição de oportunidades e a invalidação de boa parte da população.

Existe uma diferença entre a língua em si, no sentido teórico, e a língua falada. Enquanto a língua teórica representa a gramática normativa com todas as regras que determinam o certo e o errado, a língua falada representa as variações linguísticas, comuns em territórios extensos como o Brasil. A falta de conhecimento em relação a essas diferenças é uma das causas do preconceito linguístico, visto que muitas pessoas são discriminadas devido ao modo de falar que, em determinada região e contexto são, não apenas aceitas, mas usadas pela maioria da população. Um exemplo a ser analisado é o estereótipo do “nordestino burro”, sustentado pela sua maneira de falar, recorrente principalmente entre a população do sul e sudeste. A propagação desses rótulos é responsável não só pela discriminação social, mas também pelo preconceito linguístico.

Consequentemente, algumas parcelas da sociedade são prejudicadas diante da diminuição de oportunidades e pela invalidação das suas opiniões. Pela concepção equivocada de que a língua falada tem certo e errado, algumas pessoas acabam diminuindo outras simplesmente pela sua forma de falar. É muito comum que nas relações sociais cotidianas, por exemplo, algumas pessoas sejam automaticamente taxadas como “burras” ou “incompetentes”, sendo colocadas em uma categoria abaixo do que aqueles que se expressam de forma mais próxima à norma culta. O mesmo acontece em entrevistas de emprego ou até mesmo na escola, logo, muitas pessoas perdem oportunidades importantes para seu desenvolvimento pessoal. Um fato claro que mostra as consequências do preconceito linguístico, aconteceu em 2016, em São Paulo, quando um médico debochou de seu paciente pela forma que o mesmo pronunciava “pneumonia” e “raio-x”, claramente o diminuindo.

Diante do exposto, conclui-se que o Ministério da Educação deve promover debates nas escolas sobre as diferentes variantes linguísticas, normalizando suas diferenças diante da gramática normativa. Junto disso, a mídia deve conscientizar sobre o preconceito linguístico e sobre a dinâmica da língua portuguesa, através de vídeos educativos. Para que assim, tenhamos uma sociedade inclusiva, com mais oportunidades e igualdade.